3 de outubro de 2009

1° Encontro de escalada do Morro do Urubú

O Morro do Urubú é uma parede de basalto com 55m de altura e mais de 200m de extensão.

Localizado na cidade gaúcha de Vila Maria o local destaca-se pela qualidade da rocha, pela qualidade das vias e pelo enorme potencial para a escalada tradicional. Atualmente conta com mais de 25 vias entre esportivas e tradicionais.

O primeiro encontro de escalada em rocha no Morro do Urubú será realizado nos dias 10, 11 e 12 de outubro de 2009. Vai rolar muita escalada, palestras, jantas de confraternização, festa e sorteio de muitos brindes.

Participe e faça parte do desenvolvimento do montanhismo gaúcho.

Clique aqui para mais informações e inscrições

1 de outubro de 2009

Entrevista com Juliano Perozzo

1 - E aí Juliano, Blz? Conta um pouco aí de como equando você descobriu o montanhismo ?

Sempre gostei de aventuras, roubava o carro do meu pai e saia bem loco por ai, hehe Aos 16 anos, com o Paulo, Jimerson, Jardel e o Marco, fomos participar do Marumby Trophy 89, no Paraná. Foi minha primeira grande experiência em Montanha. O Paulo ficou mais uns dias por lá e o levaram a escalar em rocha. Chegando em Caxias não foi difícil convencer a galera mas, é claro, cadeirinha de corda, tenis de futebol de salão (antes do kichute), e cordas de seda-nylon (de caminhoneiro com alma), no Morro da Cruz em Galópolis, Caxias. Que aventuras memoráveis!

2 - Como você vê e define o progresso desde aquela época? O que mais mudou nos últimos anos em relação ao montanhismo em geral?

Hoje a região conta com instrutores qualificados, lojas de equipamentos e a internet que tem quase tudo menos a prática. Na época o grau máximo era VIIIa, hoje é XIa e projetos acima, principalmente na Gruta e no Salto.

3 - Sobre a questão do profissionalismo, o que você tem para dizer aquelas pessoas que querem viver do esporte? Como está o mercado?

O mercado existe, é pequeno e cresce aos poucos. Os instrutores devem buscar todas as qualificações possíveis, muito mais abrangente do que se pensa, primeiros socorros, meteorologia, orientação, liderança, ética, ecologia, resgate, aquecimento, exercícios de treinamento,... são alguns dos requisitos que devem ter os profissionais do mercado, além da maior experiência possível. O mercado busca aquele que se destaca por competência então acredito que este deve ser o requisito básico.

4 - Qual é a parte que você mais gosta? Cursos, treinamentos, venda de equipamentos, etc? Por quê?

Cursos, pois através deles é que posso manifestar tudo que descobri e aprendi através do montanhismo, principalmente a preocupação com o meio ambiente, ética, coragem, participação social e principalmente as belezas de estar junto a natureza.

5 - E a escalada esportiva, você anda treinando? Como está o desempenho?

Sim, venho treinando bastante, bem mais que uma vez, recentemente montei um muro para
treino aqui em casa e estou treinando pelo menos 3 vezes por semana. Isso refletiu no meu grau mais alto já escalado, um IXa, na gruta, e alguns oitavos.

6 - Qual o local que você mais gostou de conhecer? o que fez por lá?

Todos os locais de montanha eu gostaria de voltar de tão espetaculares, Aconcagua, Plata, Ansilta. Um dos últimos foi Arenales, na Argentina, onde pude escalar em móveis, foi uma escola para mim, um aprendizado e tanto, quem sabe Bariloche logo mais!!

7 - Algum projeto de escalada em andamento? qual?

Meu projeto é estar sempre escalando, conhecendo, novas experiências. Gostaria de estar escalando nono grau aos cinquenta anos, vamos ver. Muitos projetos na cabeça, principalmente conquistas na região, buscando sempre um estilo mais limpo. E como falei antes, o sul da América do Sul promete!!

8 - Você lançou um DVD chamado "paredões", onde divulga quase todas as paredes da região da serra gaúcha. Como foi esse trabalho e qual era o objetivo? Existe idéia de aprofundar o trabalho?

O objetivo era catalogar paredões para possíveis conquistas, preparar os proprietários das terras e subsidiar os montanhistas com informações. Foi um longo trabalho, 3 anos, com um belo resultado, mais de 70 paredões, se esse trabalho pudesse ser divulgado na net na sua totalidade seria ótimo mas, ainda não estou por dentro das tecnologias necessárias, quem sabe logo o Projeto Paredões de Caxias estará no ar, realmente gostaria.

9 - Recentemente você foi eleito presidente da Federação Gaúcha de Montanhismo. O que você pretende fazer? qual a área que é seu foco como presidente da maior estidade de montanhismo do estado?

Com a atual gestão, pretendemos dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito: Ranking estadual de escalada esportiva, Intervenção no Plano de Manejo dos Aparados da Serra e Serra Geral a fim de possibilitar a pratica do montanhismo nos Parques Nacionais, Disseminar a maior quantidade possível de informações aos montanhistas através do site da FGM assim como ampliar seu grupo de discussão, Consolidar os eventos de montanhismo tradicionais do estado, Contribuir significativamente com a CBME na formatação do Projeto de Qualificação e Certificação do Montanhismo no Brasil, entre outras coisas.

10 - Depois de tantos anos envolvido com o esporte, deixe uma mensagem para aquelas pessoas que estão iniciando.

A prática do montanhismo e da escalada traz enormes benefícios, além da prática de uma atividade física junto a natureza, amplia a consciência de que somos uma pequena parte de um conjunto único que é o nosso planeta e com isso também perceber que vivemos em sociedade, que é necessário a participação, que juntos podemos construir um futuro melhor e que não podemos ficar parados, que devemos agir, com amor, em busca de nossos sonhos e, só com eles é que saímos da "poltrona" e botamos a mão na massa, ou melhor, na rocha, e aí nos sentimos parte ativa e felizes por estarmos dando nossa parcela de contribuição, seja pelo social ou por nós mesmos. Coragem e superação são qualidades que adquirimos com a prática desta linda modalidade que é o Montanhismo e a Escalada em Rocha.

18 de setembro de 2009

Resolução da Assembléia Geral da UIAA

De 4 de outubro de 1997 em Kransjska Gora - Slovenia

Objetivos e Diretivas Ambientais da UIAA

1. A declaração dessa política provê as linhas gerais para as principais questões ambientais ligadas ao montanhismo. A declaração considera que o termo "montanhismo" inclui as seguintes atividades: escalada, caminhada e ski touring.

2. A declaração considera tanto os efeitos do montanhismo sobre o ambiente como também o papel que os montanhistas tem para manter um futuro sustentável para o ambiente de montanha.

3. Estes objetivos e diretivas fornece a base para as federações membros da UIAA seguirem apoiando o crescimento das atividades de montanha. Eles ajudarão as federações membro a garantir que as atividades de montanha são sensíveis às necessidades e questões ambientais e irão dispensar esforços para proteger regiões de falésia e montanha de impactos ambientais adversos, seja qual for a sua origem.
Essa declaração é baseada na "International Guidance on Conservation and Sports Activity" e declarações de políticas e relatórios da UIAA. Todos estes estão listados no Anexo.

Valores

1. O ponto central ao trabalho da UIAA é acreditar que a liberdade de praticar o montanhismo, seja nos picos remotos ou nas falésias à beira mar, é de grande valor à diversos cidadãos do mundo. A liberdade de escalar é parte da grande necessidade das pessoas de ter acesso à terra ou água para apreciação da natureza e da paisagem, como reconhecido pelo World Conservation Congress em 1996. Isto também engloba a necessidade pela aventura, pelo exercício físico e mental e as dimensões sociais dos esportes de montanha. Promover o conhecimento (e o auto conhecimento) destes valores por toda comunidade é um importante ponto inicial para alcançar os objetivos ambientais maiores da UIAA.

2. A UIAA reconhece o enorme valor das áreas de montanha: como reservas da biodiversidade, como lugares de grande interesse espiritual e histórico, como lugares de fenômenos naturais espetaculares associados ao clima e à geologia, e como o lugar dos mais bonitos cenários e cheios de paz. A referência à ambientes de montanha diz respeito desde locais remotos, selvagens e naturais até locais de habitação humana, freqüentemente com grande alterações do cenário e com grande valor cultural. A UIAA reconhece que essas áreas frequentemente contém ecossistemas frágeis e facilmente danificáveis, bem como estilos de vida locais que são sensíveis à intrusão externa.

3. A UIAA também reconhece que as montanhas são frequentemente a fonte para produtos essenciais à humanidade como um todo. Destes, os suprimentos de água pura em córregos e rios que descem de áreas de montanha são de suprema importância. De forma similar, a UIAA reconhece o uso de áreas de montanha como fontes de produtos agrícolas e dos bosques e florestas, de minerais e de reservas de energia. Entretanto, a UIAA enfatiza a necessidade de se extrair esses produtos de forma não comprometer a qualidade ambiental das áreas de montanha.

4. A UIAA reconhece o papel do "turismo de montanha" como forma de apoio às economias locais, incluindo a produção de artigos comercializados localmente, e reconhece a necessidade de manter as habilidades e conhecimentos locais de manejo do terreno. A UIAA está também preocupada em garantir que a atividade de montanhistas ajude a manter as comunidades locais, e que isso também traga benefícios habitantes das montanhas como um todo, de forma que isto é plenamente aceitável pela comunidade de montanhistas.

Impactos

A UIAA acredita que montanhistas, bem como muitas outras pessoas e organizações, devem ser bastante conscientes e preocupados a respeito do futuro do ambiente de montanha. Os seguintes tipos de impacto agridem a integridade de ecossistemas e comunidades da montanha, e ameaçam o impedir que se desfrute e que se pratique o montanhismo.

1. A perda da biodiversidade devido à destruição das florestas, exagero na roçagem e aragem e incêndios. Estes impactos podem ter profundos efeitos sobre a cobertura de vegetação natural do solo, a riqueza de espécies animais e a perda do solo e vegetação devido à erosão. O caráter selvagem não degradado das áreas de montanha está diminuindo.

2. Alterações maciças e agressivas da paisagem natural. Trabalhos de mineração de grande escala, esquemas para grandes reservatórios de água e hidrelétricas estradas, ferrovias, torres e estruturas para telecomunicações, instalações e edificações de estações de esqui, e especialmente as alterações destinadas ao desenvolvimento do turismo e da indústria são pontos que particularmente causam grandes preocupações.

3. Alterações climáticas, poluição através da contaminação do ar ou água e ruídos intrusos provenientes de veículos motorizados e aviões. Virtualmente, não há no mundo nenhuma área de montanha onde os sinais da poluição estão ausentes, e todo o globo está sendo afetado por mudanças climáticas. Montanhistas devem refletir sobre como suas atividades estão colaborando com os problemas de poluição, e como, considerando a sociedade como um todo, os montanhistas podem contribuir para fazer da terra um lugar menos poluído.

4. abuso no uso de locais frágeis e sensíveis. Um número excessivo de visitantes, incluindo entre eles os montanhistas, está levando à degradação de alguns ambientes de montanha, através do uso demasiado de áreas frágeis e sensíveis ou até mesmo por falta de uma conduta adequada como montanhista. Estes danos estão ocorrendo em áreas relativamente pequenas de diversas regiões de montanha, e são menos significantes do que alguns dos problemas listados acima. Este abuso, entretanto, parecem estar sendo bastante significantes em alguns dos locais de escalada mais famosos do mundo, como os campos base das mais altas montanhas, das trilhas mais frequentadas por montanhistas e trekkers, ou em falésias e paredes amadas pelos escaladores, observadores de pássaros e biólogos. É essencial que as organizações de trekking, expedições de montanha e escaladores tenham consciência disso, e passem a adotar melhores técnicas e conduta.

Integração

A UIAA acredita que montanhistas tem um grande potencial para assumir suas responsabilidades ambientais, bem como condições de proteger as terras de montanha e suas comunidades através de um processo de integração com outras entidades e setores da sociedade. Estes são os requisitos básicos que cada montanhista deve considerar como indivíduo e como membro da comunidade de montanhistas:

• Persuadir os responsáveis por tomada de decisões que as montanhas e o povo das montanhas são importantes e que o montanhismo é uma atividade que merece apoio.

• Difundir que o conceito de liberdade de acesso, exercido com responsabilidade, é uma elemento inerente ao montanhismo, frequentemente associado à extenuantes esforços físicos e mentais, risco e aventura, e uma relativa ausência de regras e regulamentações.

• Ter consciência que viajar por lugares lindos é um elemento essencial na maioria das experiências de montanha, e assim, os montanhistas devem se esforçar para manter estes lugares bonitos.

• Desenvolver técnicas de escalada e montanhismo que tenham mínimo impacto no ambiente, incluindo acertos de viagem e transporte que minimizem a poluição e a queima de combustíveis fósseis, bem como o uso de material reciclado.

• Apoiar ações e esforços que protejam áreas de montanha e melhorem o bem estar e a prosperidade de comunidades locais, assumindo que estas ações estejam de acordo com os interesses dos montanhistas através de consulta e negociação anteriores. Por exemplo:

-- Apoiando a criação de áreas de proteção, como parques nacionais e reservas, para salvaguardar espécies selvagens e paisagens especiais. Deve-se considerar também que essas áreas sejam também gerenciadas e manejadas de maneira eficiente e estejam bem integradas com as necessidades das comunidades locais e esteja considerando as necessidades dos montanhistas.

-- Apoiando, onde necessário, a regulamentação, desde que esta seja aceitável aos montanhistas e capaz de ser aplicado de forma equalitária a todos, e que preferencialmente seja feito através de acordos e arranjos entre pessoas voluntárias.

-- Apoiando medidas justas e equalitárias que ajudem os montanhistas a contribuir diretamente à prosperidade econômica e bem estar ambiental das comunidades locais. Ajuda deve ser dada à incorporação de educação ambiental em programas para instrutores e guias de montanhismo.

• Promover a iteração entre federações de montanhismo, organizações representantes da sociedade e cidadãos, governo, organizações internacionais no que tange políticas sobre o uso da terra, energia e transporte que afetem áreas de montanha.

• Desenvolver parcerias entre organizações ligadas ao montanhismo e outras organizações com interesse em defender e preservar o ambiente de montanha, mas que também defendam a liberdade de acesso.
Estes requisitos básicos definem o escopo principal da política ambiental da UIAA, e fornece a base para as federações integrantes da UIAA promoverem atividades de montanhismo que considerem as principais questões ambientais.

Anexo aos Objetivos e Diretivas

Diretrizes internacionais:

1. Resolution on public access to land and water, supported by the UIAA and passed by the World Conservation Congress of the World Conservation Union (IUCN), Montreal, Canada, 1996.

2. Declaration on Sports and Environment issued by the International Olympic Committee, 1996.

Declarações de política e relatórios aprovados por assembléias gerais da UIAA

- Kathmandu Declaration (1982)
- Matsumoto Mountain Protection Report (1992)
- Target programme to reduce trash (1992)
- Resolution on touristic flights in mountain areas (1994)
- Guidelines for ski alpinism competitions (1994)
- Policy on competition climbing (1995)
- Minutes of Cape Town Conference on "Access and Conservation Policy" (1995)
- UIAA Expeditions Code of Ethics (1987)

Tradução de Mauricio Clauzet

Código UIAA de ética para expedições

• Certifique-se de que todos membros da equipe estão cientes das regulamentações definidas pelo país anfitrião, da Declaração de Kathmandu e deste código de ética para expedições.

• Adote uma abordagem esportiva para chegar aos objetivos da expedição, e não use equipamentos ou outros recursos fora de proporção para atingir estes objetivos.

• Conduza a expedição de forma manter salvos e seguros seus membros e principalmente aqueles que a expedição emprega.

• Sempre que possível e apropriado, forneça informações técnicas e treinamento para membros da expedição que sejam do país anfitrião.

• Forneça um relato detalhado da expedição aos órgãos apropriados.

• Não use equipamentos pertencentes à outra expedição sem permissão, e esteja preparado para ajudar pessoas locais e outras expedições caso surja necessidade.

• Deixe o ambiente de montanha o mais limpo possível ao fim da expedição.
Tradução de Mauricio Clauzet

Declaração UIAA de Kathmandu

• Proteja de maneira efetiva o ambiente de montanha, sua flora, sua fauna e seus recursos naturais.

• Se esforce para reduzir os impactos negativos das suas atividades.

• Respeite as origens culturais e dignidade da população local.

• Estimule atividades que restauram e re-habilitam o ambiente de montanha.

• Incentive o contato entre montanhistas de diferentes países, em um espírito de amizade, respeito mútuo e paz.

• Torne disponível toda informação e educação necessária para melhorar o relacionamento do homem e o meio ambiente.

• Use apenas tecnologias que respeitem o meio ambiente, principalmente para as necessidades de energia (pilhas e baterias).

• Amplie o acesso à regiões de montanha independentemente de questões políticas.
Tradução de Mauricio Clauzet

Código Internacional de Montanha da UIAA

Como uma resposta ao crescimento das atividades de escalada e montanha, a UIAA desenvolveu este simples código, mas de extrema valia. O BMC (British Mountaineering Council) o adotou e recomenda enfaticamente que ele seja seguido, seguindo orientação do seu comitê de acesso e conservação.

1. Observe sempre as restrições e acordos de acesso negociados por federações nacionais ou grupos locais, evitando assim, principalmente por desconhecimento, ações que possam comprometer o acesso à área de escalada.

2. Não perturbe aves ou qualquer outra vida selvagem. Ajude a proteger as flores e respeite locais de interesse científico de qualquer natureza.

3. Evite ações desnecessárias que possam causar erosão (como cortar atalhos em trilhas) e evite de deixar marcas desnecessárias de qualquer espécie.

4. Não perturbe o gado e criação, e não danifique árvores plantações e cercas.

5. Não deixe nenhum lixo. Deixe os locais de acampamento limpos. Evite todo risco de provocar fogo e incêndio.

6. Quando não existem banheiros e sanitários disponíveis, faça suas necessidades de maneira sanitária. Enterre tudo longe de cursos d'água, trilhas ou bases de vias.

7. Não polua suprimentos de água pura. Evite qualquer poluição à camada de neve.

8. Respeite a ética e tradição local, como uso de magnésio, pitons ou pinos e grampos. Evite o uso excessivo e indiscriminado de proteção fixa.

9. Em áreas de montanha, use o mínimo necessário o transporte motorizado e estacione fora do caminho. Faça uso do transporte coletivo se este for prático.

10. Em expedições para locais remotos e alta montanha, observe a Declaração UIAA de Kathmandu e Código Ético para Expedições.
Tradução de Mauricio Clauzet

24 de junho de 2009

Resultados da 1ª Etapa de Dificuldade na Academia Adrenalimits



No dia 20 de junho aconteceu a primeira etapa do Campeonato Gaúcho de Escalada Esportiva 2009, na modalidade de dificuldade. O evento ocorreu na academia Adrena Limits em Porto Alegre, iniciando uma parceria com a FGM que parece que gerará muitos frutos. Junto com a montagem das vias para o campeonato foi realizado o primeiro curso de Route Setter Regional no Rio Gande do Sul, onde o Coordenador de Route Setters da CBME, Anderson Gouveia, treinou os participantes. Os aprovados farão parte do quadro de Route Setters certificados pela FGM para realização de etapas estaduais.

Muitas vias de bom nível, adequadas a habilidade dos atletas. Destaque especial para a final do Adulto, que teve um via longa, com troca de paredes, teto e alguns vôos.

Os resultados foram (com as premiações):

Adulto:
1º - Marcos Vinicius Todero - AGM - R$ 400 + magnésio da ProGrip
2º - Jimerson Rangel Martta - ACM - Magnésio da ProGrip
3º - Lucas Brunetta de Araújo - ACM
4º - Bruno Bitarelo Milani - CMELG

Juvenil:
1º - Tiago Peter Gerstheimer - AGM - R$ 200,00 em vale compras na Big Wall + magnésio da ProGrip

Master:
1º - Fabio Itiro Sato - ACM - R$ 200,00 em vale compras na Big Wall + magnésio da ProGrip


Feminino:
1º - Lilian Beck Tsuhako - ACM - R$ 400,00 + magnésio da ProGrip
2º - Helena Ferrari Cogorni - ACM - Magnésio da ProGrip
3º - Isadora Demoliner - ACM

Iniciantes:
1º - Tobias Nesello Corso - R$ 100,00 em vale compras na Big Wall + magnésio da ProGrip
2º - Guilherme Cansan - Magnésio da ProGrip
3º - Higor Wuttker Nunes - ACM
4º - Cauê Prataviera da Silva
5º - Rafael Redaelli
6º - Saint Clair da Costa Pias
7º - Roberto Carvalho García Viale


Parabéns aos competidores e obrigado ao público que prestigiou o evento, a academia Adrena Limits, a equipe da FGM e aos envolvidos no curso de Route Setter Regional.



28 de maio de 2009

Curso de Certificação de Route Setter

CURSO DE CERTIFICAÇÃO DE ROUTE SETTER

Porto Alegre/RS - De 18 a 21 de junho de 2009

REALIZAÇÃO: Academia Adrena Limits e Federação Gaúcha de Montanhismo

OBJETIVOS: Capacitar e certificar route setters em nível estadual no RS com técnicas modernas. No curso serão abordados os seguintes tópicos:
- Regulamento IFSC (pertinente ao route setter);
- Montagem, armazenamento e marcações de vias;
- Sistema de organização IFSC;
- Montagem de croquis;
- Segurança;
- Treinamento
- Os route setters certificados no curso, após trabalharem em mais 4 competições estaduais poderão ser chefe estadual da função.

PÚBLICO: Aspirantes a route setter regional.

DATAS E HORÁRIOS: De 18 a 21 de junho de 2009.
5ª-feira: das 09h00min às 20h30min (almoço das 12h00min às 13h30min)
6ª-feira: das 09h00min às 18h00min (almoço das 12h00min às 13h30min)
Sábado: das 09h00min às 22h00min (almoço das 12h00min às 13h30min)
Domingo: das 09h00min às 15h00min

Obs: o curso necessita da realização de um campeonato. Será realizada a 1ª Etapa do Campeonato Gaúcho de Escalada. Em decorrência disto, se o número de competidores não for suficiente para 2 dias (20 e 21/06) o campeonato será realizado apenas no sábado, e o curso, por conseqüência, realizar-se-á de 18 à 20 de junho.

LOCAL: Academia Adrena Limits (R. Marquês do Pombal, 1077 – Moinhos de Vento - Porto Alegre/RS).

VAGAS: Mínimo de 6 e máximo de 8 alunos. Não havendo o número mínimo de interessados até 03/06/2009 o curso será cancelado.
Obs: Em caso de cancelamento, os inscritos até a data de cancelamento serão ressarcidos pela Adrena Limits.

PRÉ-REQUISITOS: O participante deve estar escalando com fluência 9b (serão aceitos aqueles que escalarem 9a e puderem realizar lances isolados em 9b).

INSTRUTOR: Anderson Gouveia, único brasileiro a conquistar o certificado oficial de Route Setter pela International Federation of Sport Climbing (IFSC)

VALOR DO CURSO: R$315,00 apenas para federados (em dia com sua anuidade. O status do inscrito será checado junto à federação. ).

FORMAS DE PAGAMENTO: Utilizamos o PagSeguro visando proteger ambas as partes. O PagSeguro é reconhecido como forma fácil e segura de realizar seu pagamento.

À vista Parcelado em até 12x (juros do cartão)
Via cartão de crédito, transferência bancária ou boleto bancário Via cartão de crédito

Valores no Cartão de Crédito

Federados
Á vista = R$315,00
2x R$ 162,21 = R$ 324,42
3x R$ 109,21 = R$ 327,63
4x R$ 82,70 = R$ 330,81
5x R$ 66,81 = R$ 334,06
6x R$ 56,22 = R$ 337,30
7x R$ 48,65 = R$ 340,58
8x R$ 42,98 = R$ 343,
9x R$ 38,57 = R$ 347,16
10x R$ 35,05 = R$ 350,
11x R$ 32,17 = R$ 353,84
12x R$ 29,77 = R$ 357,21

Não-federados
Á vista = R$350,00
2x R$ 180,23 = R$ 360,47
3x R$ 121,35 = R$ 364,04
4x R$ 91,89 = R$ 367,57
5x R$ 74,24 = R$ 371,18
6x R$ 62,46 = R$ 374,78
7x R$ 54,06 = R$ 378,42
8x R$ 47,76 = R$ 382,06
9x R$ 42,86 = R$ 385,74
10x R$ 38,94 = R$ 389,45
11x R$ 35,74 = R$ 393,16
12x R$ 33,08 = R$ 396,90

Cartão de crédito: Na tela de "Formas de Pagamento", selecione o cartão de crédito de sua preferência e clique em continuar. O valor total de sua compra aparecerá em uma tela de confirmação, clique em continuar para finalizar o pagamento. A segurança de sua operação é garantida, pois seus dados serão transmitidos diretamente aos servidores da operadora, impedindo qualquer interceptação

Transferência Eletrônica: Na tela "Formas de Pagamento" selecione o banco em que você tem conta corrente, e clique em "continuar". O valor total de sua compra aparecerá em uma tela de confirmação, clique em continuar e você será redirecionado ao site do banco escolhido para finalizar o pagamento. Após entrar no banco com seus dados e senhas, ao concluir o processo a validação e autorização dos pagamentos através dos bancos é on-line e instantânea, ou seja, é realizada e liberada em tempo real.

Boleto Bancário (Validação do pagamento no 1º dia útil seguinte): É só imprimir ou anotar a linha digitável e pagar em qualquer caixa de banco ou lotérica, ou ainda no site do seu banco. Esta opção serve tanto para clientes que possuem conta corrente quanto para clientes que não possuem ou não desejem utilizá-la. Na tela de "Formas de Pagamento", selecione "Boleto Bancário". O valor total de sua compra aparecerá em uma tela de confirmação, clique em continuar e uma nova tela com um boleto se abrirá. Imprima o boleto e pague-o em qualquer agência da rede bancária. Se preferir, utilize os serviços de "Homebanking" ou "Internetbanking" do banco de sua preferência, mesmo que não seja a instituição com a qual o PagSeguro mantém parceria. A data de vencimento está impressa no boleto (vencimentos em feriados ou fins-de-semana podem ser pagos no dia útil seguinte). O processo de separação para remessa do seu pedido pelo Lojista se iniciará no dia útil seguinte à confirmação do seu pagamento. Se por algum motivo você não pagar o boleto dentro do prazo original estabelecido, seu pedido será cancelado automaticamente. Se for este o caso, realize um novo pedido no site ou solicite mais informações ao lojista, no Serviço de Atendimento ao Cliente.

O QUE INCLUI: Instrução e atestado de participação.

O QUE NÃO INCLUI: Transporte, alimentação, hospedagem e equipamento individual.

A Adrena Limits oferece para aqueles que não residem em Porto Alegre as instalações da academia para pernoite. Informe com antecedência se for de seu interesse.

Quanto à alimentação, podemos fornecer desde que seja combinado com antecedência. O valor será cobrado à parte, adiantado.

PROGRAMAÇÃO E INSCRIÇÕES: No site www.adrenalimits.com.br

INFORMAÇÕES: (51) 3372.0470, (51)9811.4511, pelo e-mail contato@adrenalimits.com.br ou no site www.adrenalimits.com.br

1a Etapa do Campeonato Gaúcho de Escalada Esportiva 2009 - Modalidade Dificuldade

A Adrena Limits e a FGM tem o orgulho de trazer à Porto Alegre a 1ª Etapa do Campeonato Gaúcho de Escalada Esportiva - Modalidade Dificuldade.

O Evento conta com o patrocínio da Conquista Equipamentos para Montanhismo (http://www.conquistamontanhismo.com.br/) que forneceu as fitas expressas e são lançamento (as fitas expressas e anel de 120cm já se encontram no comercio), e malhas rápidas de 40kN para equipar os muros da Adrena Limits, e o apoio da loja Big Wall, Kong (M. Arnaud) e SME (Secretaria Municipal de Esportes e Lazer).
Informações

O QUE:
1ª Etapa do Campeonato Gaúcho de Escalada Esportiva - Modalidade Dificuldade - SOMENTE ATLETAS FEDERADOS

QUANDO:
20 e 21 de junho de 2009

ONDE:
Academia Adrena Limits - R. Marquês do Pombal, 1077 - Moinhos de Vento - Porto Alegre/RS

Categorias

Juvenil: até 19 anos
Adulto: de 20 à 39 anos
Master: 40 anos ou mais
Iniciante: aberto a não-federados

Inscrições nos Links Abaixo

Maiores Informações:
Adrena Limits: Fone 51 3372.0470 - e-mail: contato@adrenalimits.com.br


2 de fevereiro de 2009

Arenales 2008

CAJON DE ARENALES / TUNUYAN - ARGENTINA

25/12/08 Êta festa boa de Natal, primeiro a família, depois os amigos. No início da tarde o Luis Henrique me convidou para darmos uma pedalada pelo interior e aceitei, mal sabia que iria errar o caminho e acabamos andando algumas dezenas de kilômetros a mais (por volta de 60 km).

26/12/08 Cheguei em casa da pedalada a 01:30 da manhã, arrumei as coisas para irmos para a Argentina, escalarmos em Arenales, um Cânion de granito laranja, amarelo e às vezes rosado, cheio de fendas e agulhas alucinantes. Consegui dormir um pouco (1h15min) antes de partir para Bento Gonçalves, onde mora o Samir, e onde deixaria meu carro pois iríamos com o dele que é mais novo. Cheguei em Bento as 06 da manhã e partimos as 07 horas, o Samir e Eu. Passamos por Uruguaiana por volta das 16 horas e ficamos cerca de 30 minutos na alfândega, as vezes demora mais. Seguimos a estrada e acabamos dormindo em San Francisco (hotel a 50 pesos por pessoa), onde chegamos por volta da meia noite.

27/12/08 Acordamos as 07 horas e uma hora depois estávamos na estrada de novo. Por volta das 15:30 horas chegamos em Mendoza(2100 km de Bento), falamos com o Humberto Junior (Gaúcho que mora em Mendoza e trabalha como guia de montanha), compramos algumas coisas no mercado, passamos em Maipu pra ver a Taís, filha do Junior, onde acabamos jantando. Dali seguimos a Tunuyan, a 95 km de Mendoza e depois ao Manzano Histórico (mais 25 km), um lugar onde passou o “libertador” San Martin, num caminho restrito que leva ao Chile ( O manzano (uma macieira) não existe mais é claro, brincamos que o Martin deu uma mijadinha na macieira, e ela ganhou fama, hehe). De Manzano são mais 18 km até o Refúgio Portinari, agora de estrada de terra, totalizando 135 km de Mendoza. Chegamos ao Refúgio Portinari (2500m), da Gendarmeria Argentina (tipo exército), as 03: 40 da manhã. Batemos na porta e nada, já estava pensando em bivacar por ali mesmo, quando chegou mais um carro e mais um... Eram nossos conterrâneos do Rio Grande, escaladores que conhecia por nome há tempos, Gabriel e Gustavo de Pelotas, Camila de Caçapava e Fabrício de Passo Fundo, e o Alexandre Altmann de Lajeado, pai fresco, hehe (recem teve um filho). Sabíamos que eles estavam vindo, cada um no seu tempo, por feliz coincidência chegamos juntos. Logo o guarda acordou com a bagunça e acabamos nos registrando e seguimos ao acampamento, logo atrás do refúgio, uns 200 metros. Local bem plano, água perto, montamos a barraca meio na loca (bem na estrada é melhor dizer, hehe) pois era noite e estávamos cansados.

28/12/08 Acordei com visão da Muralha Amarela, gigante, assustador, será que vou escalar aquilo ali? Café e tal, bate papo com a galera, reorganizamos o acampa e o Samir e Eu, já que não íamos ficar muito tempo pelas bandas, bem menos que o resto da galera, tratamos de não perder tempo e lá pelo final da tarde fomos escalar a via El Condor Pasa, 100m, 5º. Cerca de uma hora de caminhada de aproximação e 200 metros de desnível de altitude cansou um pouco. Mais alguns minutos até reconhecer a saída, mesmo com o Guia Escaladas em Mendoza, que o Thomas fez a super, ultra, mega gentileza de emprestar, de todo o coração agradecemos pois sem ele seria terrível. Seguimos a acreditada saída e com proteção por grampos fomos ultrapassando as enfiadas de corda, cada um guiava uma e assim seguiu toda a expedição. Chegamos no topo, após 5 enfiadas, a noite. Rapelamos com as head lamps e nos perdemos um pouco na trilha, que sempre arrematava o dia e nos deixava exaustos. Felizes, papo com a galera, janta e boa noite.
29/12/08 Após o sempre super café da manhã... Acabou a fase dos grampos...optamos por vias fáceis e com proteções móveis. A mochila agora um pouco mais pesada tornou um pouco mais lenta a aproximação, mas só um pouco. Chegando na pedra, avistei uma fenda que parecia bem boa e fácil e entrei, treinando a colocação das peças. A via Elida, 24m, 5º, com algumas proteções fixas (acabei protegendo em duas delas) por vezes passava pela fenda a qual escalava e acabei por rapelar em sua parada dupla e recolher as peças. Em seguida o Samir fez a 1ª enfiada na via El Filo, 85m, 5+. Também haviam alguns grampos pela via, bem esporádicos, mas o Samir não protegeu neles, servindo como treinamento psicológico e acabou alongando mais a enfiada, ficando com quase 50 metros e montou uma parada móvel. Recolhi e segui guiando a linha, por vezes ignorando alguns grampos exceto os que davam acesso a uma parada, perto de um platô, fora da fenda. Cheguei nela e logo o Samir seguiu até o platô gigante, dava pra bivacar, até montar barracas, alguns belos cactos adornavam o platô e o visual do Vale do Arroyo Grande era lindo. Ali encontramos um cordelete igual ao que o Samir, ontem, havia alterado o nó, otimizando-o. Chegamos na base com dois rapeis e encontramos uns cariocas descendo da parede, perguntei, vocês são da onde? – Sou de Niterói, ele falou. Falei, Conheço o Zezinho de Niterói (uma vez estava em Salinas, tempo ruim, e foi só cachaçada). Sou Eu disse ele, risos (um não reconheceu o outro), e batemos um papo, eles estavam no refúgio superior, bem no Cajon. Ao observarmos a parede não estávamos entendendo o caminho que percorrêramos. Somente depois, no acampamento, é que percebêramos que havíamos rapelado por ali ontem, mas como era noite não havíamos reconhecido o local, e confirmamos que o cordelete encontrado na parada era o mesmo, muitos risos. À noite sempre conversávamos com a galera, cada um contando suas aventuras e dando dicas aos que fossem repetir algumas das mesmas vias.

30/12/08 A mesma rotina da manhã, lava a cara no rio gelado, pega água, e super café. Partimos agora para a Via Intercooler, 125m,5+, num setor mais a direita da Parede de La Mitria, onde escalamos os dois dias anteriores. Na base da via encontramos outros cariocas, batemos um papo, moçada gente fina. O Samir abriu a via, passando por uns blocos não tão firmes, meio negativo, esticou e foi até uma parada dupla. Dali ele mesmo seguiu um pouco mais até a base do diedro da esquerda, onde encontrou uma chapeleta pra montar a parada com mais uns móveis. Segui pelo diedro, as vezes aos gritos de emoção, seja pelo esticão, pelo crux, pelas peças, pelo visual, subi mais de 40 metros, bela escalada. O Samir concluiu a via com uma travessia exposta até a parada dupla e 1º rapel. Da via fotografamos o Fabrício e o Altmann escalando uma via ao lado. Rapelamos juntos.

31/12/08 Dia de descanso, fomos a Tunuyan comprar alguns apetrechos para a festa de final de ano. Na descida encontramos a Mi, escaladora, morava em Porto Alegre e agora está no Rio de Janeiro, chegando ao acampa, pra escalar com a galera. Dia de descanso meio tumultuado na cidade, maior agito de final de ano, mas certamente rolou a pizza e as "biras" nativas. Voltamos com as coisas, fogueira, grelhados, cerveja, vinho, arroz a grega, saladas, muito bate papo, risadas e gaita de boca com o Gabriel. Toquei numa gaita dele, que devo ter babado tanto, que ele até me deu a gaita, hehe, não sei se a galera gostou mas eu me emocionei. Muitas estrelas e meteoritos.

01/01/09 Tempo instável, impróprio para escalada. Ventos fortes. Encoberto. Frio. Muitos desmoronamentos de pedras na Muralha Amarela. Ficamos todos abrigados num refúgio de lona da galera, batendo papo e provando os vinhos e as cevas argentinas. Perguntei ao Gabriel se tinha me dado a gaita mesmo, pois estávamos um tanto embriagados naquele momento e disse que sim.

02/01/09 Fomos fazer a aproximação a Agulha Mutantes e levamos todos os equipos, se encontrássemos a agulha fácil, escalaríamos. Los Mutantes, 220m, 5º, Abri a 1ª enfiada de corda e estiquei uns 50m, parada móvel, o Samir recolheu e seguiu a 2ª enfiada, mais uns 40m. Fomos alternando mais 4 enfiadas e o Samir chegou ao topo da agulha já noite, por volta das 22h. O rapel! Descemos do cume e acessamos uma crista que levava ao topo da Muralha do Refugio. O rapel é numa canaleta entre a Muralha do Refúgio e a Parede de La Mitria, num rapel de 30m. Não encontramos a canaleta, escuro, por vezes nublado, as head lamps não nos davam uma visão em larga escala. Acabamos por rapelar uns 200 metros de parede virgem. O Samir abriu as descidas, por volta da meia noite, procurando sempre os bicos de pedra e rapeis curtos. Fizemos uns oito rapeis, uns seis em bico de pedra, cerca de 20/25 metros cada, sempre com uma corda só, a outra de reserva ia na mochila. Nossos amigos, vendo nossas headlamps no meio do nada, sabiam que estávamos numa situação delicada e se organizaram e se aproximaram da base da parede, dando-nos um certo conforto. Os dois últimos rapeis tivemos que abandonar algumas peças pois não encontrávamos mais bicos de pedra. Alguns meteoritos deram-me o prazer de pedir que chegássemos em segurança ao acampamento. Iniciamos a caminhada para escalar a Agulha por volta das 14h, a escalada iniciou as 16h, as 22h estávamos no topo da agulha, as 24h iniciamos os rapeis e as 05:30 da manhã estávamos caminhando em direção ao acampamento. Todos exaustos, e as lembranças mais loucas da minha vida de escalador. Quando cheguei ao acampamento disse duas coisas: desculpe pelo incômodo e obrigado pelo apoio.

03/01/09 Bom, fui dormir então as 6 da manhã. Em virtude do sol tive que levantar as 11 horas. Certamente precisávamos nos recompor. Descemos até onde havíamos deixado o carro, na trilha de acesso ao Chorro de las Viejas, e dali descemos a Tunuyan, uma bela pizza e um banho quente no posto de gasolina. O Samir levou um frango assado pra galera e eu levei uns bons vinhos argentinos, em recompensa ao apoio psicológico que recebemos durante nosso rapel um tanto preocupante.

04/01/09 Agora sim um pouco mais descansado e bem alimentado, fomos reconhecer nossa linha de rapel (noturno e adrenante) na Garganta del Puma, um setor com algumas rotas esportivas. Levamos todo o material e chegamos bem acompanhados por duas norte-americanas (da Califórnia e do Arizona, o Samir, esperto, fala inglês, ficou com contato das princesas), que escalaram algumas vias do local. Excelente visual, abrimos uma nova rota no local. Segui por uma linha bem visível, a direita de onde fizemos os dois últimos rapeis (que abandonamos algumas peças), num diedro positivo, 4+, com boas fendas e crux de 5+, cerca de 45 metros. O Samir subiu e pouco antes de chegar na parada fez uma travessia a esquerda e recolheu os dois micronuts e um tricam pequeno, tinha sido nosso último rapel. Em seguida subiu numa variante a esquerda e recolheu nosso penúltimo rapel, dois micronuts e um friend pequeno e ai percebeu outra linha mais bonita, acima e a direita de onde eu estava. Desescalou até a parada e subiu por esta linha, realmente bem mais bonita, culminando num topo de agulha, onde laçou a pedra do cume e montou a parada final, uns 35 metros acima. Escalada fácil mas com poucos pontos para proteção, dali vimos os irmãos de Pelotas no cume da Muralha del Refúgio, eles haviam escalado a bela via Los Diedros. Logo depois avistamos o Fabrício e o Altmann, também no cume da Muralha del Refúgio, após escalarem a via Patrícia, ambas vias altamente recomendadas. Descemos caminhando por uma canaleta exposta e chegamos numa parada fixa, no topo da Parede de La Mitria, daí foram 3 rapeis em paradas fixas. À via demos o nome de Los Gauchos em Arenales, 80m, 5+, no setor Garganta del Puma. Voltamos felizes, equipos resgatados e uma nova via aberta.

05/01/09 Subimos ao Cajon de Arenales pra fazer um reconhecimento do refúgio e da rota que iríamos escalar no dia seguinte. No refúgio encontramos uns escaladores do Rio de Janeiro (pra variar, hehe) que nos deram algumas dicas pra nossa rota pretendida. Voltamos ao carro e subimos um pouco mais a estrada, na intenção de chegar ao refúgio Scarabelli mas, a estrada em mau estado fez-nos retornar, mas não antes de algumas belas fotos e voltamos ao acampamento Portinari.
06/01/09 Pela primeira vez acordamos lá pelas 07 horas, um bom café da manhã, arrumar equipos e partimos de carro até a ponte do Arroyo del Cajon. Dali foram cerca de duas horas e meia de caminhada de aproximação e 400 metros de desnível, chegamos na base da Aguja Nuez, a 3000 metros de altitude as 11:30 da manhã. Abri a escalada esticando cerca de 50 metros de 3º ou 4º grau e demorei mais pra tentar achar a parada, que existia somente no croqui e acabei montando uma parada móvel. O Samir subiu e procuramos mais um pouco e percebemos que não havia parada fixa mesmo. O Samir continuou na linha que acreditávamos ser, conforme o guia, bendito guia. Aos poucos fomos nos aproximando da face vertical, com boas fendas e já um pouco mais exigente tecnicamente. Abri a 3ª enfiada, muito bonita, belos movimentos de oposição, visual excelente e um excelente platô de parada, com duas proteções fixas somente para rapel (cheia de cordeletes abandonados), desaconselhado montar a parada neles devido ao péssimo estado de conservação e tendo boas fendas estava tranqüilo. O Samir guiou a 4ª e última enfiada desta linda via, mais uma seqüência de fenda boa, muita oposição e trechos delicados. Excelente visual do cume da via: Mujeres, Tequila y otras Yerbas, 180 metros, 5+; o Cajon, montanhas nevadas ao fundo, muitas outras agulhas de maior dificuldade e desejos futuros de voltar a Arenales. Os rapeis que pareciam preocupantes foram tranqüilos, a caminhada de descida foi quase um surf na brita de areia (cerca de 30 min) e chegamos ao acampamento felizes e cansados, por volta das 21 horas, ainda dia. A constante preocupação com a segurança, colocação das peças, paradas móveis, rapeis a noite, pediam alguns momentos de tranqüilidade e decidimos partir no dia seguinte mas, não pra casa, e sim a Los Gigantes, em Córdoba, e escalar duas vias sugeridas pelo Altmann.

07/01/09 Tomamos café, arrumamos as coisas, nos despedimos do pessoal e quando estávamos saindo nossos companheiros estavam em direção a Muralha del Refúgio para mais um belo dia de escaladas. Tocamos direto e acampamos perto de Villa Dolores, numa cidadezinha muito simpática, turística, com muitos bares, restaurantes, campings, pousadas, e lindas garotas...Chegamos por volta da meia noite e saímos antes das 9 da manhã. Erramos alguns pequenos trechos pelo caminho e chegamos em Carlos Paz, Tanti e por último La Rotonda, fim da estrada, com Los Gigantes ao fundo. Logo saímos com as mochilas nas costas, procurando a pedra El Tio, onde estava a rota que queríamos escalar, Salamanca, 80 metros, 5+. Perto da base encontramos uns paranaenses que estavam indo ao Plata e a Arenales também. Estávamos meio acuados pela leve chuva e pelo cansaço da viagem até que os conterrâneos botaram pilha: - bóra gaúchos, não dá nada, aqui tem sido todo dia assim... valeu a fibra que não nos permitiu aquele recuo, me encordei e sai guiando a Salamanca, com algumas agarras molhadas e fenda boa, granito escuro (cinza/marrom). O Samir fez a segunda enfiada numa fenda perfeita, com entalamento de mão e pé, até uma parada logo abaixo de um tetinho, o qual fiz rapidinho, pois estava escurecendo. Rapelamos tranqüilos e descemos com os paranaenses e uma aventureira espanhola que estava na área, descemos sob a luz da lua, praticamente sem ligar as head lamps. Ao chegarmos montamos as barracas, jantamos, batemos um papo, ficamos todos ao redor da espanhola e dormimos.

08/01/09 Após o café, desmontamos as barracas e deixamos tudo pronto pra partirmos. Subimos novamente até as pedras e fomos escalar o Cerro de La Cruz, 4 enfiadas, paradas fixas, fenda boa e excelente visual, queria chegar no cume mas a corda não alcançou, montei uma para móvel uns 15 metros antes do top0 e o Samir e Eu chegamos juntos a cruz, acompanhados de alguns locais que foram apreciar o visual. Fotos e descemos por trilha junto com os turistas. Belos vales com rios de águas limpas e poços para banho. Pra variar, perdemos a trilha, mas como tudo descia... Chegamos em La Rotonda (Camping, refúgio e venda de alimentos e bebidas) e logo partimos. Acabamos dormindo num hotel em Devoto (50 pesos cada), cidade um pouco antes de San Francisco.

09/01/09 Café da manhã no hotel e antes das 9 da manhã partimos. Tocamos direto até Bento Gonçalves onde chegamos as 4 horas da manhã.

10/01/09 De Bento peguei meu carro e vim pra Caxias, ainda na mesma noite, chegando em casa as 5 horas da manhã e muito feliz pelas belas aventuras vividas. Agradeço ao Samir pela oportunidade e aos amigos Gabriel, Gustavo, Fabrício, Camila, Altmann e a Mi pela companhia e amizade construída, espero que possamos escalar juntos novamente.

Materiais recomendados: jogo de friends e nuts, várias fitas longas.
Juliano Perozzo

Veja aqui o álbum de fotografias desta expedição.