26 de dezembro de 2008

Rio de Janeiro: Por Juliano Perozzo

Relato de viagem ao Rio de Janeiro, 17 a 27/10/2008, Assembléia CBME, Banff e escaladas na cidade.

17/10 Cheguei às 04 da manhã no aeroporto do Galeão, fiz um reconhecimento das proximidades e achei melhor pegar um táxi até o Alpha Hostel, Rua Praia de Botafogo, 462. No final da tarde fui com o Bernardo (Presidente da Femerj) e a Mariana ao Pão de Açúcar e escalamos a via “As de Espadas” VIsup. A Mariana guiou as 2 primeiras e eu as 2 últimas enfiadas, chegando na aresta do costão, com excelente visual. A noite fui na Lapa com alguns hospedes do Hostel (casal de italianos: Simone e Nora e amigos de Buenos Aires, Sebastian e Romina. Samba do bom, turistas do mundo inteiro, grandes contrastes culturais, crianças e famílias dormindo na rua, a 10 metros do samba (sob os arcos da Lapa), mais 10 metros e um “mictório” a céu aberto, não havia estrutura de wc´s, os bares lotados, muitos sem banheiros e outros cobravam uma taxa para utilização. Haviam cerca de 2 mil pessoas na rua, fora os bares (uns 50 dos mais variados estilos).

18/10 O Bernardo passou no albergue (07h) para irmos escalar na Pedra do Ser mas, o samba na Lapa foi até amanhecer e o pessoal do albergue não conseguiu me acordar. Almocei lá pelas 15 horas. Bom, era sábado e à noite, “Hip Hop no Rio”, na Lapa. No início me senti meio deslocado mas aí, a gente vai vendo e aprendendo, ambiente agradável, e logo começa a dançar.

19/10 Acordei às 14 horas com a mensagem do Bernardo sobre a última etapa do Campeonato Estadual de Escalada em Boulder, na Limite Vertical, perto do albergue em que estava. Fui lá conferir e só os feras: Ralf, Hilo, Patrícia, Muniz, e mais uma galera. Tava tri bom, escalei alguns boulders do campeonato, bati fotos, troquei as camisetas da ACM pelas do evento, que foi até as 21 horas, saindo da Limite encontrei a Marcela Chaves, que já havia vindo a Caxias e com quem conversei um pouco. Chegando no albergue me convidaram para o “Funk”, vamos lá... Janta, banho e fomos ao “Castelo das Pedras”, no Rio das Pedras. Ônibus mais Van, pavilhão gigante lotado, galera sem camisa, mulatas dançando pra caramba e o DJ animado conduzia bem a festa. Os wc’s tbm não davam conta e o pessoal urinava nas paredes e cantos do banheiro. A calça longa exigiu uma limpeza técnica abaixo das canelas no outro dia. Na volta, Van até a Gávea mais táxi até Botafogo, a 140 km/h, as 5 da manhã.

20/10 Almoço às 16 horas, lava roupa, som ambiente no albergue. A noite escalada na Limite Vertical com Bernardo, até matar os braços e depois bate papo no boteco com Hilo mais 2 parceiros: 1 do Rio e outro de Minas.

21/10 Escalada do Costão. Fui fazendo umas imagens desde o momento que saia do hostel. Na pista Cláudio Coutinho (circula parte do Pão de Açúcar), encontrei novamente a Marcela, agora fotografando macacos estrela, lagartos e o pássaro “tche sangue” (peito bem vermelho). Conversamos um pouco e logo chegaram outros escaladores: Marcio Bortolusso (gaúcho de Carazinho) e Fernanda Lupo (fotógrafos) e o amigo Fernando (iniciando na escalada). Subimos o Costão juntos até o crux onde tivemos que aguardar um congestionamento na via, brincamos que era o escalão Hillary, no Everest. Como não havia levado corda nem cadeirinha decidi manter o plano e passei o lance de sapatilha, magnésio e capacete. Feliz após dominar o lance, tranqüilo, fiz algumas fotos do Marcio e da Fernanda e acabei subindo o resto do Costão com o Marcelo, último escalador da cordada anterior, que estava tbm solo mas acabou se encordando com o grupo de cima. Chegamos ao topo do Pão de Açúcar, fotos e logo pegamos o bondinho até o morro do meio e dali, cross country (correndo) na trilha até a pista Cláudio Coutinho. Daí fui ao albergue prepara-me para ir ao encontro dos veteranos. Na sede do CEB, ocorreu o V encontro dos escaladores veteranos. Presentes Paulo Macaco, Bernardo Collares, Alexandre Diniz, Waldeci Lucena (fotos dos antigos abrigos de montanha), apresentação de alguns clubes: CEG 50 anos, CERJ 70 anos, CEB 90 anos, e outros clubes. Escaladores (as) com mais de 80 anos e muitas histórias. Painéis dos encontros anteriores (2004/05/06/07) e painéis sobre sapatos de escalada cardado (com pregos) e China Pau (tipo alpargatas). Fiquei no encontro até as 22 horas. Entreguei o DVD dos Paredões de Caxias ao presidente do CERJ, J C Muniz e ao presidente do CEB, Rodrigo Taveira, com os quais conversei um pouco. Nelson Brugger foi aluno do Muniz, que o elogiou pelo conhecimento, interesse, participação,.. Tbm comprei os dvd’s do Paulo Macaco, com quem tbm conversei um pouco sobre o Muro 90 (campeonato de escalada que participamos juntos) em Curitiba, lembrando alguns antigos conhecidos.

22/10 Ontem, quando cheguei dos veteranos, baixei as imagens da câmara, tomei umas cervejas com os Italianos e os Argentinos, arrumei os equipos para a escalada e dormi perto das 3 da manhã. Acordei as 6, lavei a cara, mochila nas costas e encontrei o Bernardo chegando na Urca de bike. Rapidinho subimos a trilha para o Toten, nos encordamos e o Bernardo guiou todas as 4 enfiadas, de VIsup a VIIc e algumas passadas venenosas com proteção móvel, misturando 3 vias diferentes: Cica, Cacuete e Lacas e rapelamos pelo platô da Revolta. Regleteira constante, micrinhas instáveis e dinâmicos fortes. Para guiar levaria muitas quedas e em função da exposição provavelmente seria difícil passar o crux da fenda (proteção móvel), onde o Bernardo teve uma queda. Lances bonitos, paredes negativas e verticais. Toten gigante e desafiador. As dez da manhã estávamos novamente na base, ali encontrei o Julio Campanela, agora morando em Brasília, e mais dois escaladores na via Estopida. Fiquei com eles até o meio dia e voltei ao hostel. Lanche, banho e dormi das 14 as 22 horas, perdendo o primeiro dia do Banff. Como estava descansado fui a Lapa, hip hop de graça, interagindo com os(as) nativos.

23/10 Café/Almoço ai pelas 10 horas e fui para Ipanema, posto 9. Fiquei perto de um grupo de garotas bonitas, mar gelado, muitos banhos, sol forte e bate papo muito legal com as garotas e um casal de Taquara. Albergue, almoço/janta e... Banff, 19 e 21 horas. Depois bate papo com o “F
ormiga”, “Maluquinho”, Eric (não sei se está escrito corretamente) e outros que não recordo o nome e fomos todos ao “Democráticos”, na Lapa, comemorar o aníver da Kika e meu tbm, tava uma galera legal, vários escaladores (as): a Wal de Curitiba, a Camila com quem rachei o táxi na volta, e vários que não recordo o nome, tava tbm o Gustavo Timo e o Presidente da Abeta. Dançamos muito, um samba de ótima qualidade e excelente companhia.

24/10 13hs Café/Almoço, vitamina, e fui pra Urca. Encontrei o Ian, campeão iniciantes, escalando um boulder, junto com o Marcelo e outro amigo. Depois fomos nos Coloridos escalar a via Vermelha, 100 metros, IV, chegando lá estava o Francis, colega de trabalho nas Plataformas da Petrobrás, e mais um amigo. Escalamos todos um boulder protegido e exposto num teto no final da via, VIIa. Combinei com o Ian e o Marcelo de escalarmos a K2, no corcovado, Domingo. Banff 19 e 21 horas.

25/10 7 horas da manhã no local indicado, bairro Flamengo, casa do Maicon e com o Bernardo fomos para a Barrinha, próximo a Pedra da Gávea. Trilha de 20 minutos, parede levemente negativa, longa, muitas vias. Entramos na Filé Com Certeza, IXa, 30 metros. Muito bom, não consegui resistir a passagem pelo crux abauloado e depois a regletera vazante. Visual massa, imponente, como tudo no Rio. Belas quedas! O “Babu” chegou na seqüência e escalou conosco, logo foi chegando a galera “alemão” (esqueci o nome) de Curitiba, a Roberta escalando um IX muito bonito(a)! e vários outros escaladores e escaladoras. Voltamos as 14 horas. Albergue, banho, metrô, e direto pra Assembléia da CBME, pauta: Eleição; Padrão de competência para guia de montanha; Site CBME/Segurança em montanha/divulgue esta idéia; Acesso as montanhas (pronunciamento do André Ilha); Panorama geral das Federações,...Tudo transcorrido normalmente... Depois Banff, 19 e 21 horas e a festa de encerramento. Culinária Casca Grossa (júri popular) e Uruca (júri técnico) foram alguns dos ganhadores. Galera legal, saudável, a maioria escaladores(as), dj gente fina, rock, samba e forró do bom. Conheci a Rita, de Teresópolis, muito querida, ela conhecia o Ralf, que ta com um Refúgio na serra. Nesta estada no Rio encontrei pessoas que conheci quando comecei a escalar, há 18 anos, outras que não via há 10 anos e outras que nem conhecia mas, que me influenciaram na minha vida de montanhista, amigos de amigos, pessoas que sempre lembraremos pelos bons momentos, valeu a todos que estavam na capital da escalada no Brasil, foi um prazer ter convivido com vocês!

26/10 10 horas, arruma as coisas no albergue, paga a conta, bota a mochila dos equipos nas costas e vamos escalar a K2, 150 metros, VIsup/VIIa, no Corcovado. O Marcelo passou no albergue as 14 horas e deixamos o carro na entrada pro Cristo, no caminho das Vans que levam os turistas pra cima do morro. Confirmei com Bernardo (fone) a entrada da trilha e após 15 minutos estávamos na base da K2 e fim da trilha. As quatro enfiadas foram sensacionais, inclusive usando alguns friends entre as proteções fixas. A 1ª enfiada, 35 metros, uma fenda de dedos seguida por uma outra um pouco maior. A 2ª enfiada, 20 metros, sai da fenda e segue por grampos para o lado mais exposto da parede. A 3ª enfiada, 35 metros, passa um crux com agarra bem alta, VIsup. A 4ª enfiada, 50 metros, conta com o domínio de 2 platôs, na saída do segundo um lance bem exigente VIsup/VIIa, junta no abauloado, pé alto e chama num reglete, depois fica fácil, termina numa rampa de aderência e micrinhas, use costuras longas para diminuir o atrito. Saindo da escalada uma trilha curta conduz direto a um senhor gigante de braços abertos diante do qual agradeci a oportunidade, valeu! Cheguei no albergue as 21 horas, arrumei as coisas, tomei um banho, fui comer uma pizza e me despedir do Rio. Logo depois, táxi ao aeroporto do Galeão, escala em Sampa, e chega em Poa, ônibus pra Caxias, agora vamos trabalhar um pouco...
Juliano Perozzo


A conquista da "Pra quando chover" no Grutão dos índios

"Pra quando chover..."  Escalada em artificial no teto do Grutão dos Índios. Conquistada por Mauro Dagostini e Juliano Perozzo, com a participação de Guilherme Franzoi e Leandro Rutzen.

Acabáramos de equipar com proteções fixas a via "Código Braile", no Parque de Montanhismo em Flores da Cunha e sedentos de conquistas, elencamos algumas prioridades. Terminar alguma das vias iniciadas do Cerro da Glória, na 3ª Légua, abrir uma via ao lado da cascata no Parque de Montanhismo em Flores, e quando o tempo estivesse meio ruim iríamos conquistar, talvez, o maior teto em artificial do Brasil, no Grutão dos Índios, em Santa Lúcia do Piaí, Caxias do Sul. O teto realmente não apresenta, na sua extensão maior, nenhuma possibilidade de escalada em livre. No intuito de criar uma possibilidade de treinamento em artificial, seja para cursos, seja para experiência, abrimos ali mesmo, talvez um dos maiores artificiais em teto que ouvi falar em meus 19 anos de montanhismo. Contando com o apoio da furadeira a bateria do Mauro e do Guila não foi muito difícil concluir a via. Foram 4 investidas, sendo duas delas iradas, como um robô conquistador, não parava de furar, até acabar a carga da bateria. A maior parte a via são passadas em chapeletas com chumbadores de expansão. Algumas passadas em parafusos de 3/8, onde houve a possibilidade, e uma única passada em móvel, um friend 1 na última passada antes da parada. Se ativar o "modo monstro" deve dar para passar usando a fenda do friend para a mão e cruzando a outra já com o estribo na mão, ai chegou na parada, uma chapeleta com mosquetão abandonado e mais acima uma chapeleta com argola. Rapele na argola passando a corda também no mosquetão da chapeleta de baixo. São 35 passadas em artificial,leve pelo menos 25 costuras ou mosquetões e estribos e recolha mais umas 10 costuras ou mosquetões de passadas anteriores, haja visto que a maioria é chapeletas e a via está muito bem protegida. A via tem extensão aproximada de 28 metros e altura de 20, portanto uma corda de 50 metros e talvez uma corda retinida, para auxiliar no reboque de algum equipo que faltar, são suficientes. Boa escalada e atenção, toca-toca...

Juliano Perozzo

Resutados da etapa única do Campeonato Gaúcho de Boulder 2008






9 de dezembro de 2008

Campeonato Gaúcho de Escalada 2008 - Boulder

ETAPA ÚNICA - NÃO PERCA !!

Neste sábado (13/12/2008) acontecerá a última etapa ( e única) do Campeonato Gaúcho de Escalada Esportiva, modalidade Boulder, será no Estacionamento da Loja Samburá, fundos.

A categoria Iniciantes será aberta a não federados e as outras são somente para atletas federados e as seguintes:

Feminino - Categoria única
Masculino - Juvenil, Adulto e Master
Inscrições: 09 horas
Inicio da competição, categoria Iniciantes, 10 horas.

LOCAL: LOJA SAMBURÁ (FUNDOS)
Endereço: Av. Rio Branco, 503 - Bairro Rio Branco
Cep: 95010-060 - CAXIAS DO SUL - RS - Telefone: (54) 3221 5466
E-mail: lojasambura@terra.com.br  www.lojasambura.com.br  



Contamos com a participação de todos.

6 de novembro de 2008

V Caldeirão do Behne


mais infos em www.agmontanhismo.com

23 de outubro de 2008

Mais uma lesão de dedo na Escalada

Meu nome é Lilian Beck Tsuhako, tenho 24 anos e sou escaladora de Caxias do Sul, sou Massoterapeuta e estudante de Fisioterapia. No dia 12 de abril de 2008, sofri uma das lesões mais comuns em atletas de escalada esportiva, é a lesão das bainhas (polias) que protegem os tendões dos dedos da mão.

Eu estava entrando num projeto (Vertigem – 9b), e ao aplicar muita força num reglete do crux da via, senti um estralo no dedo anular da mão esquerda seguido de dor intensa. Mesmo com o conhecimento estrutural e funcional dos dedos da mão, eu não tinha muita noção da ocorrência das lesões de polias na escalada e muito menos sentido na pele o quanto essa lesão é doída e delicada. Como todo escalador teimoso, logo após a lesão, mesmo com dor e limitação do movimento de flexão do dedo, fiz muito gelo e decidi aproveitar o feriado para dar uma escalada. A teimosia rendeu meu primeiro oitavo a flash e possivelmente o agravamento da minha lesão e o adiamento do meu retorno a um ritmo normal de escalada.

Quando chegou ao ponto em que a dor era insuportável apenas no contato superficial do dedo com as agarras, resolvi cessar a escalada imediatamente. Procurei ajuda profissional e a jornada foi longa até eu obter um diagnóstico preciso e iniciar um tratamento eficaz. Entre médicos, fisioterapeutas, educadores físicos, colegas acadêmicos, amigos escaladores e muitas rezas, por indicação de uma amiga fisioterapeuta procurei um ortopedista especialista em mão que me receitou antiinflamatório e finalmente pude fazer fisioterapia. Durante dois meses e meio sem escalar, vinte sessões de fisioterapia somadas a muito pensamento positivo possibilitaram o meu retorno ao esporte, mas com muita paciência e consciência. Uso esparadrapo nas falanges média e proximal como um auxílio na proteção e não como substituto das polias, sempre faço alongamento e exercícios de aquecimento nos dedos antes de entrar nas vias. Estou recuperada e voltei a treinar e fazer força nos negativos da Gruta com muita motivação para novas cadenas.

Vertigem – 9b
Gruta da Terceira Légua - Caxias do Sul – RS
Foto: Roni Andres

O PIOR DE TUDO... é ficar sem escalar numa fase que se está motivada com um projeto e num ritmo bom de treinamento.

IMPORTÂNCIA DE SE OCUPAR O CORPO E A MENTE QUANDO NÃO SE PODE ESCALAR... o yôga como sempre, foi de suma importância, tanto fisicamente como mentalmente, e a musculação a qual me manteve ativa, onde tentei ao máximo gastar muita energia para compensar um pouco o tempo que fiquei afastada.

Paranóia (Primeiro 8a flash)
Caçapava do Sul – RS
Foto: Roni Andres

A PRIMEIRA COISA A SE FAZER... quando se sente dor ou se percebe que ocorreu uma lesão é cessar as atividades de escalada imediatamente para não agravar a situação. Ao repousar diminui-se o tempo de afastamento e evita-se uma lesão irreversível. Procurar um profissional é fundamental para se ter um diagnóstico, cada atleta é responsável pela sua saúde, mas para cada um decidir qual conduta vai seguir, é necessário que se saiba qual foi a lesão e a gravidade.

Vertigem – 9b
Gruta da Terceira Légua - Caxias do Sul – RS
Foto: Roni Andres

Com essa experiência pude valorizar mais tudo que engloba esse esporte, desde a prevenção através do alongamento e aquecimento até um aumento da consciência corporal e da motivação pelo prazer de simplesmente poder escalar.

Lilian Beck Tsuhako tem apoio da Conquista Equipamentos, Arwi – Sandvik, Uni – Yôga Mestre De Rose, Curso de Inglês InFlux e Academia Vidativa

Matéria de: Lilian Beck Tsuhako

Os artigos do site não refletem, necessariamente, a opinião da Associação.

5 de outubro de 2008

Pedra da Águia e Cânion do Espraiado, Urubici, SC

Ano passado eu já havia estado na região de Urubici (SC), próxima à Serra do Corvo Branco. Ali, um uruguaio muito gente boa, o Juan, montou um refúgio de montanha, bem próximo onde já parece ter sido demarcada a área para um futuro parque nacional, o Campo dos Padres. A área é privada, e a boa vontade dos donos (O Juan só é dono do refúgio), parece variar mais com a fala de quem alerta o fato. Pela segunda vez, andei por lá sem nenhum problema. Como a previsão era de chuva, de quinta a sábado (e não ia dar muita escalada por aqui em Caxias), eu botei pilha no Juliano Perozzo, da Associação Caxiense de Montanhismo, para irmos acampar e dar uma banda pela região. Marcamos para sair quinta, na hora do almoço, mas como chovia a cântaros, só saímos às cinco da tarde. Paramos em Vacaria, para comprar singelos 9Kg da melhor maçã que já comemos. Seguimos por Lages, Urubici e de lá, são mais 30Km de estrada de terra bem conservada. Chegamos tarde, e as chaves do refúgio se encontravam simpaticamente na porta à nossa espera. Na manhã seguinte, demos um rolé, pela parte baixa, no vale do Rio Canoas (principal afluente do rio Uruguai) que nasce na parte alta dos campos. Lá, vimos a Pedra da Águia, uma imponente formação arenítica, de cento-e-poucos-metros. Resolvemos subir o colo da montanha, pela face norte (junto ao rio Canoas) varando bambuzal, pois não há trilha de acesso. Chegando à crista, notamos que o arenito era de fato muito mole e que qualquer tentativa de alcançar o cume pode implicar em grande impacto na formação. A vista foi maravilhosa, pois agora deslumbrávamos o vale do Canoas e o lado da face sul da pedra. Depois de muita contemplação, e a polêmica sobre designar os “periquitos” como maritacas ou caturritas, descemos pelo outro lado da colo, encontrando vez por outra, uma floresta de xaxim que nos aliviava do bambuzal. Na noite de sexta para sábado, São Pedro mostrou ao que veio e a chuvarada caiu a noite inteira até ao final da manhã. Havíamos impresso as imagens de satélite do Google Earth, e iríamos tentar seguir para o cânion do Espraiado, por um caminho (embora imaginássemos, não sabíamos se havia caminho) que acessava a borda direita do cânion (a partir do vértice), em um ponto bem distante do vértice. O caminho usual segue o vale do Canoas e sobe por uma trilha (na verdade uma péssima estradinha de terra, desafiadora para os melhores 4x4, até um trecho) até próximo ao vértice. Tomamos a trilha na face sul da Pedra da Águia e subimos, subimos, subimos....passamos um mangueiro, umas vacas soltas, pulamos algumas cercas e subimos, subimos, subimos, sempre debaixo de uma chuva fina. Por fim, chegamos a uma matinha, que parecia (muita neblina e pouca visibilidade) se estender até a borda, já próxima. Tomamos à esquerda, pulando mais uma cerca, e seguindo pela trilha dos bois. Por este caminho, percorremos um lindo trecho aberto de campo, onde podíamos ver ao longe à esquerda, o cânion do Canoas e a crista dos morros por onde segue o caminho usual, e à direita, a borda do Espraiado. Voltamos à mata e em um determinado instante, a trilha apresenta uma bifurcação à direita, que segue até uma das primeiras “torres” do cânion. Nós continuamos e em pouco tempo, chegamos a uma área descampada, já na borda direita do dito cujo. O tempo começava a dar sinais de melhora, mas a ventania era medonha. Aos poucos a paisagem se abria num canto, fechava em outro, mas conseguimos ver a imponência do Cânion do Espraiado. Pausa para o lanche (maçãs, maçãs e mais maçãs!) e continuamos em direção ao vértice. Embora quiséssemos continuar pela borda, os vários recortes e a presença de rios, nos forçaram em alguns momentos a nos embrenhar pelas matas de bambu (argh) e xáxim (ahh!). Com isso, nos afastamos mais do que pretendíamos da borda do cânion, indo encontrar a trilha usual, que sai em outro mangueiro, já próximo ao vértice. Um pouco a direita do vértice, um pouco acima do encontro de dois pequenos rios, encontramos uma área excelente para acampar, já às 18:00. Após o farto jantar de macarrão integral, proteína de soja, queijo, e sobremesa (maçãs, claro!), olhamos para cima e o céu, sem uma nuvem! A lua crescente nos dava uma bela iluminação, mas o frio e a ventania não nos permitiam tanta contemplação. Durante a noite, o vento realizou um belo teste da minha megasuperultraplusbarracanova Tabajara! No dia seguinte, colhemos o fruto de 2 dias de caminhada sob chuva: Nenhuma nuvem no céu e excelente visibilidade. Da barraca mesmo, era possível avistar a estrada da serra do Corvo Branco, que desce ao litoral, serpenteando a serra catarinense, um pouco ao norte da mais famosa estrada do Rio do Rastro. Caminhamos primeiro pelo trecho da borda direita, próximo ao vértice, onde se encontram duas torres colossais! Retomamos o caminho da borda esquerda, seguindo direto ao ponto mais elevado e distante da borda. A impressão era a de avistarmos todo o estado de Santa Catarina! De lá víamos o morro da igreja, considerado o ponto mais frio do Brasil. Voltamos margeando toda a borda esquerda do cânion, com aquela sensação de termos sido abençoados pela mãe natureza. A barraca já havia sido desmontada e devidamente malocada num mato próximo. Após eu (mais uma, de incontáveis vezes), esquecer alguma coisa fora da mochila, partimos lá pelas 17:20 horas, para a caminhada de retorno. Pegamos o caminho usual de acesso ao cânion, e quando o sol se pôs, a lua crescente, que nascera já no meio da tarde, nos iluminou o caminho. Da trilha, no lusco-fusco, ainda avistamos o rio Canoas em seu cânion. Antes de chegarmos a parte baixa, junto ao rio, estávamos apreensivos pela presença búfalos, que são criados no local, mas os bichanos se comportaram como lordes. Chegamos ao Refúgio às 20:00, exaustos (eu particularmente) e extasiados com o espetáculo da natureza. O Juliano, como nas outras noites que passáramos no abrigo, se deu ao trabalho de deixar o fogãozinho à lenha “bombando”, o que foi, literalmente, o ouro! Mais uma orgia alimentar, a base de macarrão, ovos e maçãs. No dia seguinte, acordamos cedo e o espetáculo era o campo coberto de geada. Deu -2 graus à noite no refúgio. Seguimos até Urubici, tomamos café e me caiu a ficha que havia esquecido o celular no refúgio, putqparghgrunch!, seriam mais 60Km, não antes de trocar o pneu furado por um prego de cerca, numa borracharia local. Tivemos certeza que foi uma maldição por tantas cercas puladas! Tomamos enfim o caminho de casa, onde apostas sobre o a presença de belas muchachas nos pedágios, me assegurou 3 cervejinhas na conta do Juliano, a ser paga no último grampo! Ah, sim:- ainda estamos comendo maçãs!
Nelson Brügger (ACM e CERJ) & Juliano Perozzo (ACM)

Matéria de: Nelson Brügger

19 de agosto de 2008

Campeonato Gaúcho de dificuldade - II etapa - Resultados

Equipe de trabalho formada e firmadas as parceria de apoio à premiação, já recebia ligações confirmando a participação e solicitando reservas da inscrição. Como tendência dos tempos atuais mas, crendo na reversão da situação para o próximo ano, o número de inscritos foi pequeno, porém o nível dos competidores e a qualidade da organização estão cada vez melhores. Com atraso de uma hora mas, com tudo em cima, teve início a categoria iniciantes, que sagrou novamente como campeão o escalador Neison Hoffmann de Nova Petrópolis. A categoria Juvenil também manteve como campeão o escalador Tiago Peter Gerstheimer de Viamão, membro da AGM. A categoria Feminino Sagrou novamente campeã, Helena Ferrari Cogorni, de Bento Gonçalves, sócia da ACM, que levou R$ 100,00 mais equipamentos. A categoria Máster, mudou o campeão, sagrando agora Mauro César D'agostini no primeiro lugar do pódium. Os adultos, contando com alguns dos melhores escaladores esportivos do estado, teve uma ótima disputa, os finalistas Rogério Censi, Jimerson Martta, Dioni Capelari e Pedro Nicoloso fizeram o público suar as mãos. O Route Setter paulista Eduardo Bicudo exigiu da galera e somente o Jimerson e o Dioni completaram o bote final no teto, empatando em 1º dividindo o prêmio de R$ 100,00 e equipamentos. O podium Adulto completou-se com Pedro em 2º e Rogério em 3º. Agradecemos ao FUNDEL - Fundo Municipal para Desenvolvimento do Esporte e Lazer de Caxias do Sul, que está financiando 3 das 6 etapas do Campeonato Gaúcho de Escalada Esportiva, 1 de Boulder e 2 de Dificuldade. Agradecemos também o apoio da Conquista - Equipamentos para Montanhismo e da Deuter, que forneceram os equipamentos de premiação. Agradecimento especial a toda equipe de trabalho, competidores e público, que sempre prestigiam os eventos de montanhismo e escalada promovidos pela ACM. Agradeço também a Fruteira Ecológica e a FGM - Federação Gaúcha de Montanhismo. Até o próximo evento. Juliano Perozzo

Classificação Geral

Iniciantes:
1º - Neison Hoffman
2º - Higor Nunes
3º - Guilherme Cansan
4º - Rômulo Muller
5º - Rafael Redaelli

Juvenil:
1º - Tiago Peter Gerstheimer (AGM)

Máster:
1º - Mauro Dagostini (ACM)
2º - Marcos Alba (ACM)

Feminino:
1ª - Helena Ferrari Cogorni (ACM)

Adulto:
1º - Jimerson Martta (ACM) e Dioni Capelari (ACM)
2º - Pedro Nicoloso (AGM)
3º - Rogerio Censi (ACM)
4º - Marcos Lucca (ACM)
5º - Fabio Sato (ACM)

17 de julho de 2008

Projeto Paredões de Caxias do Sul

Lançamento do DVD Paredões de Caxias do Sul, onde o Montanhista Juliano Perozzo mostra seu trabalho de pesquisa dos paredões e como ele pode ser mais bem aproveitado (10 min), logo após serão entregues cópias do DVD aos representantes das Secretarias de Esporte e Lazer, da Secretaria de Turismo e da Secretaria de Meio Ambiente de Caxias do Sul e também aos Presidentes da Associação Caxiense de Montanhismo e da Federação Gaúcha de Montanhismo, que recebem cópias do dvd em nome das principais associações de montanhismo do Brasil (10 min). Em seguida a apresentação do filme (17 min), com as fotos dos maiores paredões de rocha do município agregado a vídeos exploratórios, escaladas em rocha e rock da casa. Logo após o vídeo, bate papo descontraído.

3 anos de pesquisa, mais de 2 mil fotos, mais de 80 paredões fotografados e seus arquivos de texto contendo informações importantes como nome do proprietário, contato, se permite a escalada, altura e largura do paredão, posição solar, água potável, como chegar, alguns fatos históricos ocorridos, um pouco da fauna local e belas fotos dos paredões.


O DVD está dividido em:


- Considerações Gerais: Arquivos de texto contendo informações importantes sobre a escalada e seus cuidados, a cordialidade com o proprietário do local, a qualidade da água dos arroios, o equipamento fotográfico utilizado, a duração do projeto,...


- Paredões: Aproximadamente 80 paredões, cada um com seu arquivo de texto e fotos, divididos nas regiões Norte, Sul, Leste e Oeste.


- Filme: As melhores fotos de cada paredão divididas em regiões, intercaladas com vídeos exploratórios e com fundo musical do melhor rock de Caxias.


Assista o Filme:




O lançamento do DVD foi realizado no dia 14 de Agosto (Quinta-feira), na Sala de Cinema Ulysses Geremia, Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho.


16 de junho de 2008

Manutenção de vias e retirada de pedras soltas no paredão do Parque Cinqüentenário

Foi realizado no dia 27 de abril de 2008, a atividade prevista no cronograma: Melhorias no Parque Cinqüentenário (manutenção de vias e retirada de pedras soltas no paredão do Parque Cinqüentenário). A atividade que tinha como principal objetivo a prevenção de acidentes que colocassem em risco a integridade física dos pedestres, montanhistas e veículos, começou às 7hs e 35 min com a chegada da viatura da Secretaria Municipal dos Transportes e Mobilidade Urbana, nos auxiliando no isolamento parcial da Av. Júlio de Castilhos no sentido bairro- centro.No momento do diagnóstico para estabelecer os pontos de ancoragem e as linhas de descida, estava presente o Sr. Luis Felipe Faccione, geólogo da SEMMA que vistoriou o local acompanhando a equipe. Foram montada três linhas de rapéis para a primeira remoção de pedras e mais três descidas com duas linhas, encerrando a atividade por volta das 12hs e 30 min, contemplando cerca de 1/3 de todo paredão. A equipe que ficava na rua recolhia as pedras jogadas, controlava o fluxo do trânsito e batia as fotos. Apesar de ser domingo, passamos por momentos em que tínhamos de parar, devido a grande circulação de veículos e pedestres. Com certeza todos nós aprendemos com a realização dessa atividade, ficando cada vez mais preparados para atuarmos voluntariamente em prol da segurança na prática do esporte. Aprimoramentos que poderemos estar processando na próxima etapa dessa ação, onde estaremos chegando mais perto de cumprir as metas estabelecidas, melhorando mais uma parte do paredão. Nossos agradecimentos especiais ao Sr. Carlos Roberto Noll - diretor executivo da Secretaria Municipal dos Transportes e Mobilidade Urbana, que articulou em conjunto a realização da atividade. Ao Sr. Adelino Teles - Secretário Municipal do Meio Ambiente que nos recebeu e autorizou a execução da atividade. Ao 5º Comando Regional Serra do Corpo de Bombeiros, que estavam de prontidão para intervir caso houvesse necessidade. A Prefeitura de Caxias do Sul que demonstrou o interesse na mobilização e acreditou na importância dessa ação para prevenir acidentes urbanos. Parabéns a todos os sócios que se envolveram!Muito bem ACM!

12 de junho de 2008

Ogro´s Festival

No dia 21 de junho de 2008 será realizado o primeiro festival de escalada esportiva na Gruta da 3º Légua, o Ogro´s Festival! O festival tem por objetivo a integração de escaladores num dos melhores e mais famosos points de escalada do Brasil.Com um nome sugestivo, fazendo uma brincadeira com os escaladores sobre a fama das vias negativas da gruta, onde a força bruta se sobrepõe à técnica, o Ogro´s Festival terá a estréia oficial das novas correntes com malhas rápidas nas paradas em todas as vias da Gruta, esforço esse feito pela "vaquinha" de vários escaladores de Caxias e Porto Alegre.Além da estréia das paradas, o evento ainda terá slackline e o Desafio Cadena, onde toda cadena de via limite do escalador será comemorada com toca de sineta e no jantar uma cerveja por conta da organização!Após o dia inteiro de escaladas, o evento terá a palestra do escalador Edmilson Padilha (Ed) da Conquista Equipamentos, falando sobre Escaladas na Patagônia com mostra de fotos e também o sorteio de alguns brindes. Pra fechar o evento, um jantar típico italiano, com confraternização da galera da escalada, da caminhada e das bikes, pra recuperar a energia gasta e agüentar o dia seguinte de atividades!Faça força e sangue no zóio!

O quê?
OGRO´S FESTIVAL

Quando? 21 de junho de 2008 - a partir das 9hs

Onde? Gruta da 3º Légua - Caxias do Sul - RS

Quanto? R$ 30,00 (jantar e camiseta do evento)Cardárpio "Ogro": Churrasco, galeto, carne de porco, massa, polenta frita, maionese, salada, pão e vinho.


Apoio:




Inscrições pelo e-mail matheus@agarrassauro.com ou no telefone (54) 3202.1575

28 de maio de 2008

Campeonato Gaúcho de Escalada Esportiva 2008 - modalidade Dificuldade

Era o último sábado antes do campeonato e passei na Gruta pra convidar o pessoal pra participar e/ou prestigiar a 1ª etapa do Campeonato Gaúcho de Escalada Esportiva, na Academia Estica Vida em Caxias. Estava repleto de escaladores e como sempre muitos de fora da cidade. Eu sempre conversando com todos e convidando-os a participar do evento. Um deles, escalador paulista, perguntou-me: - Você é o Juliano? Era o Eduardo Bicudo, Route Setter da competição, havíamos falado somente por telefone e agora nos conhecemos pessoalmente. Maravilha, seguimos conversando e logo a galera foi subindo as escadas, felizes, comemorando suas cadenas e batendo papo junto a copa do Salão da Gruta. Consegui convencer alguns...Neison W. Hoffmann de Nova Petrópolis, ganhou a categoria Iniciantes e uma costura. Marcos Alba de Caxias ganhou a categoria Máster e levou uma mochila. Tiago Peter Gerstheimer, de Viamão, ganhou a Juvenil e uma mochila.As pequenas e abauladas agarras exigiram muita sutileza e pressão ao mesmo tempo. A escaladora de Bento Gonçalves, Helena Ferrari Cogorni, ficou em 1º na Feminino e levou uma costura e R$ 100,00 em grana. Os quatro finalistas Adulto masculino caíram no início da via mas, poucos movimentos a mais deu a vitória a Dioni Capelari Silocchi, que ganhou uma costura e R$ 100,00 em grana. O empate entre o segundo e o terceiro forçaram ambos a entrar novamente na via e buscando novas alternativas passaram o primeiro crux e caíram perto do teto, sagrando Jimersom Martta em 2º e Pedro Nicoloso em 3º. Em seguida, Marcos Vinicius Todero, escalador caxiense, mostrou e comentou fotos de importantes campos de escaladas na França, Itália, Espanha e Marrocos.O campeonato foi financiado pelo FUNDEL - Fundo municipal para desenvolvimento do esporte e lazer da SMEL - Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de Caxias do Sul através de projeto encaminhado por mim e pelo Igor T. Goedel, Presidente da ACM - Associação Caxiense de Montanhismo. A busca dos patrocinadores da premiação teve o apoio da High e os prêmios foram parceria com Paulo Dos Reis, representante Lucky e Beal na região, e com o Edmilson Padilha da Conquista Montanhismo. Competidores, organização e público elogiaram o evento que contou com a presença da Denise Dani, representando a SMEL, que permaneceu durante as semi-finais masculinas, apreensiva, torcendo para os escaladores completarem suas rotas. Agradeço a todos que participaram e nos vemos em Agosto, na 2ª e última etapa do Ranking Gaúcho de Escalada Esportiva, modalidade Dificuldade.

1 de março de 2008

Código Brasileiro de ética na escalada

Este código de ética foi discutido no 1º Seminário Paranaense em março de 1993, e levado para discussão no 1º Congresso Brasileiro de Montanhismo realizado em Curitiba em Julho do mesmo ano.

Dos Pontos De Segurança (Grampos Fixos ou Chapeletas)

  • Durante uma conquista deve ser observado o posicionamento dos pontos de segurança, de modo que em hipótese alguma de queda, o escalador toque o solo, arestas ou saliências, representando perigo à sua própria integridade;

  • É proibida a adição de pontos de segurança em escaladas já conquistadas, sem autorização dos conquistadores;

  • Em caso de regrampeação os escaladores não possuem poder algum para descaracterizar qualquer rota, transferindo a original proteção dos pontos de segurança, de acordo com o artigo primeiro anterior;

  • A utilização de dupla proteção nos pontos de parada é um fator que diminui a ocorrência de acidentes e deve ser sempre observada;

  • Sempre que possível os pontos de rapel devem ser comuns à varias escaladas;
    Os pontos de segurança estão sujeitos às intempéries e devem merecer constantes observações todo início de uma escalada;

  • Um ponto de segurança visivelmente mal colocado, deve ser evitado e informado à União Local de Escaladores para a sua substituição de acordo com o artigo segundo deste;

Do Meio Ambiente:

  • Nenhuma escalada deve transgredir as leis de proteção ambiental.

  • Todas as situações à parte devem ser discutidas pela União Local de Escaladores e decidido através de votação por maioria absoluta (50% mais um voto);

  • Todo escalador é responsável pelo seu material e lixos;

  • Todo escalador tem a obrigação de divulgar e conscientizar a proteção ao meio ambiente;

Do Material Móvel:

  • Deverá ser utilizado material móvel sempre que possível, evitando-se o uso de pontos fixos ao lado de fissuras, fendas, rachaduras às quais seria óbvio o uso de materiais móveis;

Ética e Estilo:

  • Ética e estilo nunca devem ser confundidos, sendo que ética são regras que definem uma atitude ou postura diante do esporte e ao meio e é flexível de uma região para outra. O estilo faz parte das características de cada escalador, ilimitado e auto-justificado na relação de movimentos ao realizar uma escalada;

  • Corda de cima, Hang Dog, Pink Point, Red Point e Solo, ficam classificados como estilo reservado de cada escalador que saberá definir seus limites, sendo porém mundialmente conhecido como melhor estilo o On Sight guiando;

Da Conquista:

  • Nenhum escalador possui o direito de reservar para si qualquer rota ou pedaço de pedra, somente se estiver colocando evidentes esforços para efetuação de seus objetivos, seja aproximação, ou colocação de grampos;

  • Em caso da modificação das intenções o escalador tem a responsabilidade de expressá-las à comunidade local, deixando-a aberta a todos;
    Toda conquista deverá ser divulgada no catálogo que deve ser editado anualmente;

Da Graduação:

  • Todo grau de escalada deve ser considerado On Sight;

  • As graduações de artificiais devem estar dentro dos padrões, fator H e segurança ; expostos no catálogo local;

Da Moral:

  • Todo escalador deve utilizar de sua liberdade, usufruindo de seu espaço respeitando o próximo;

  • É considerado imoral marcar com magnésio rotas ou boulders, com intuito único de legitimar uma ascensão não executada;

  • Todo escalador tem a obrigação de prestar auxílio em caso de eminente perigo;

  • Todo escalador tem o dever moral de transmitir uma boa atitude em relação à montanha e à prática do esporte;

Do Equipamento, do Resgate ou Acidente:

  • Todo escalador tem a obrigação de prestar auxílio técnico ou de primeiros socorros, quando assim lhe for pedido;

  • Todo escalador é responsável pelo seu equipamento e manutenção do mesmo;

Conclusão Sobre o Código:

Este código pode e deve ser alterado sempre que necessário e em consenso da União Local de Escaladores. Deverá ser respeitado por toda a comunidade e visitantes.

Academia Estica-Vida

Academia Estica Vida
Muro de Escalada Esportiva
Rua Irma Valiera, 143, Bairro São Pelegrino, Caxias do Sul/RS
Fone: (54) 3221 8221

Altura total: 11 metros
largura: 5,5 metros
Comprimento do negativo: 4 metros com angulo aproximado de 70 graus em relação ao solo
Comprimento do teto: 1,5 metros

  • Possibilidade de dois escaladores ao mesmo tempo sendo um no vertical e um no negativo, inclusive para guiar

  • Muro existente desde outubro de 1999, construído por Juliano Perozzo e Jimerson Martta

  • Última reforma/ampliação, com apoio da ACM, em junho de 2007 (parafusos,chapeletas e porca agarras novas)

  • Aproximadamente 12 competições já foram realizadas no local, com provas de escalada de dificuldade, guiada, e provas de escalada de velocidade

  • Atual instrutor de escalada do muro: Juliano Perozzo, Cref 4390

  • Horários de funcionamento do muro: Segundas, Quartas e Sextas Feiras, das 18 as 21 horas e nas Quintas das 18 as 20 horas

  • Quantidade máxima de alunos permitido por hora: 4 escaladores

  • Funcionamento: 2 Top Ropes (para guiar é necessário levar cadeirinha apropriada, corda e costuras)

  • A Academia oferece: 2 Top ropes montados, instrutor sempre presente, cadeirinhas, magnésio, colchão para boulder, troncos board, alongamento antes e depois das aulas, 8 vias marcadas, de 5º a 9º grau e bate papo interessante. Avaliações físicas quadrimestrais e treinamento específico para competições a quem desejar. Vestiários, duchas para banho, wc´s, e outras atividades alternativas, musculação, capoeira, ginástica, alongamento, e outras atividades, consulte.
Convênio com a ACM para sócios em dia (leve sua carteirinha), as terças feiras, das 14 as 21 horas, sendo obrigatória a presença de um monitor da ACM (confira obrigações referentes ao convênio antes de escalar).

21 de fevereiro de 2008

Escaladores Caxienses no Campeonato Brasileiro de Escalada Esportiva 2007

Os atletas escaladores Lilian Beck Tsuhako e Lucas Brunetta de Araújo participaram durante o ano de 2007 do Campeonato Brasileiro de Escalada Esportiva onde tiveram a oportunidade de disputar na elite com os melhores escaladores do Brasil na categoria principal. O campeonato teve três etapas. A primeira aconteceu dia 21 de outubro na Academia Casa de Pedra – Morumbi em São Paulo, onde pela primeira vez estavam presentes para representar Caxias do Sul e o Rio Grande do Sul. As outras duas etapas foram realizadas na Academia Via Aventura em Curitiba nos dias 03 de novembro e 1º dezembro. Através do financiamento da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul e demais apoiadores, Lilian e Lucas foram os únicos escaladores do estado a participarem de todas as etapas do Campeonato Nacional, isto trouxe muita motivação durante seus treinamentos desde o início do ano que se completou ao competir com escaladores de nível. “Sentimos nitidamente a importância de adquirir experiência estando presentes freqüentemente em competições fora do estado. As vias estavam excelentes e longas, na nossa perspectiva por não termos um ginásio com muro alto para treinarmos em Caxias. Mesmo assim, cada etapa foi uma soma de confiança que possibilitou uma evolução ao final do Campeonato” relata Lilian, que ao final do Campeonato ficou na sexta colocação do Ranking da única categoria feminina, Master. “Em 2007 plantamos uma semente para o progresso nos próximos campeonatos, pois acreditamos na motivação, disciplina no treinamento e persistência pela busca de experiência e excelência” comenta o atleta Lucas ao ficar na quarta colocação da Master Masculina. “Gostaríamos de registrar nossa satisfação pelos patrocínios e apoios adquiridos e o imenso agradecimento pela torcida das nossas famílias e amigos”, comentam ao final.

Lilian Beck Tsuhako: tri-campeã gaúcha e atleta apoiada pela Prefeitura de Caxias do Sul, Wisdom - Inglês Conversação, Universidade de Yôga - Mestre De Rose, Arwi-Sandvik, Periscópio e Academia Vidativa.

Lucas Brunetta de Araújo: quarto lugar no ranking gaúcho de 2006, atleta apoiado pela Prefeitura de Caxias do Sul, Arwi-Sandvik e Periscópio.

Veja algumas fotos:



1 de fevereiro de 2008

A história do Montanhismo mundial

O montanhismo pode ser definido como a ascensão de montanhas por caminhada ou escalada. Faz parte de um conjunto de atividades bastante amplo, denominado excursionismo. Devido ao fato do montanhismo ter-se iniciado nos Alpes, recebe também o nome de alpinismo, denominação que se generalizou bastante, tornando-se amplamente aceita. A rigor, a palavra "alpinismo" deveria ser reservada para as atividades montanhísticas realizadas nos Alpes, assim como "andinismo" para os Andes, "himalaismo" para o Himalaia, etc. Primórdios - A Cordilheira dos Alpes é considerada o berço do montanhismo. A primeira ascensão de vulto a um dos seus picos foi o Monte Aiguille, em território francês, por Antoine de Ville, que realizou uma verdadeira escalada sobre rocha. Esse fato ocorreu em 1492 e causou enorme furor na época, pois acreditava-se que as altas montanhas eram habitadas por dragões e seres alienígenas. Tão intenso era esse temor, que as próximas conquistas alpinas importantes só se deram em 1744 (Monte Titlis), 1770 (Monte Buet) e 1779 (Monte Velan). Em agosto de 1786, o médico Michel Gabriel Paccard e o montanhês, caçador e garimpeiro de cristais Jacques Balmat conseguiram atingir o teto da Europa Ocidental: o Monte Branco (4.807 m), situado nos Alpes franco-italianos. Tal aventura foi motivada por um prêmio oferecido por um cientista e naturalista suíço Horace Bénédict de Saussure, que pensava fazer naquele cume alguns ensaios científicos. De fato, um ano depois, o próprio Saussure chegou ao topo do monte, integrando uma expedição com Balmat e outros 17 guias, e ali realizou diversas experiências. O sábio tornou-se responsável pelo enorme interesse que as ascensões em montanha passaram a despertar, porém sob uma ótica mais científica do que esportiva. Medo e superstição ainda rondavam aqueles cumes nevados. Durante os próximos 70 anos, algumas conquistas notáveis foram feitas na cadeia dos Alpes, entre elas o Jungfrau (1811), o Finsteraahorn (1812), o Watterhorn (1854) e o Monte Rosa (1855). Entretanto, só em 1856, quando um grupo de montanhistas conseguiu ascender ao cume do Monte Branco sem auxílio de um guia experiente, é que o esporte começou a apresentar um surto de popularidade na Europa. Encerrava-se, dessa forma, o período do montanhismo puramente exploratório e de caráter científico. Vanguarda - Em 1857, era fundada a primeira associação de montanhismo do mundo - o Clube Alpino de Londres - conseqüência natural do fato de serem os ingleses na época, senhores quase absolutos das escaladas alpinas. Com a criação do clube, o esporte começava a se organizar. O exemplo inglês foi seguido pelos demais países, e logo apareceram diversas organizações em toda a Europa. Primeiro na Áustria, em 1862, e, um ano depois, na Suíça e Itália. Em 1874, surgia o Clube Alpino Francês. Antes mesmo que muitos dos cumes alpinos fossem escalados pela primeira vez, esforços começaram a ser dirigidos para as montanhas de outras regiões do mundo. Os principais picos do Cáucaso foram conquistados por ingleses em 1868. Nos Andes, o Chimborazo foi vencido em 1880 e o ponto culminante das Américas - o Aconcágua (6.959 m) - em 1897. Na África, foi escalado o pico mais alto do continente - o Kilimanjaro (5.895 m) - em 1889, assim como o Kenya em 1899 e o maciço de Ruwenzori em 1906. A seguir, vieram o Trisul (Himalaia) em 1907 e o teto da América do Norte - o Monte McKinley (6.194 m), localizado no Alasca - em 1913. Clássico - O período compreendido entre o final dos anos 20 e o início da Segunda Grande Guerra (1940) constituiu a época clássica do montanhismo esportivo. Com o aparecimento das técnicas, foram vencidos desafios de vulto na cadeia dos Alpes - como a face norte do Eiger em 1938 - e, em particular, no maciço dos Dolomitas e nas agulhas e paredões do maciço do Monte Branco. No Himalaia, uma expedição anglo-americana obteve êxito sobre o Nanda Devi em 1936; no Wyoming (EUA), a Devil Tower (Torre do Diabo) foi escalada no ano seguinte. Outros picos - das Montanhas Rochosas ao Cáucaso e da Noruega à Antártica - receberam logo suas ascensões pioneiras. Registra-se nessa fase o aparecimento de escaladores habilidosos como o francês Pierre Allain e os italianos Emilio Comici, Ricardo Cassin e Giusto Gervasutti. 1º Período do montanhismo moderno - Este período compreendeu a segunda metade da década de 40 e toda a década de 50. Novas e difíceis vitórias foram conseguidas em toda a extensão da Cordilheira dos Alpes. Escaladores como Jean Couzy, Lionel Terray, Edouard Frendo, Louis Lachenal e Gaston Rébuffat deram continuidade às técnicas de escalada em rocha e gelo iniciadas por Armand Charlet, Couttet, Simond e Pierre Allain. Em 1951, os italianos Walter Bonatti - um dos maiores alpinistas de todos os tempos - e Luciano Ghigo introduziram nos Alpes Ocidentais a técnica da progressão em artificial, aplicando-a na escalada do Grand Capucin. Notáveis ascensões foram realizadas por Cesari Maestri, Hermann Buhl, Rebitsch, René Desmaison e o talentoso Bonatti. Nos Estados Unidos, consolidou-se o ataque às extensas paredes rochosas do vale do Yosemite: Lost Arrow (1947), Sentinel Rock (1950), Half Dome (1957) e um paredão de 1.000 metros no El Capitan (1958). Foi também a época de grandes feitos nas altas montanhas do Himalaia e do Karakoram, tais como: a primeira ascensão a um pico com mais de 8.000 metros, o Annapurna I (8.078 metros), em 1950, pelos franceses Maurice Herzog e Louis Lachenal; o Nanga Parbat (8.126 metros), em 1953, pelo austríaco Hermann Buhl; o Everest, ponto culminante do planeta (8.872 metros, segundo recentes medições por satélite), em maio de 1953, pelo neozelandês Edmund Hillary e o sherpa Tensing Norgay; e o K-2, segunda montanha mais alta do mundo (8.858 metros, também aferido por satélite), em 1954, pelos italianos Achille Compagnoni e Lino Lacedelli. Nos Andes, o Cerro Fitz Roy foi vencido em 1952 por Guido Magnone e Lionel Terray. 2º Período do montanhismo moderno - Finalmente, a partir do término da década de 50, apareceu o segundo período do montanhismo esportivo moderno, que se estende até nossos dias. Sucederam-se várias conquistas de picos, agulhas e paredes nos Alpes e nas Dolomitas. No Yosemite, o El Capitan e o Half Dome receberam novas vias, fruto de escaladas atléticas de extrema dificuldade. Nos Andes da Patagônia, foram escalados a Torre Central del Paine (1963), o Cerro Torre (1974) e a Torre Egger (1975). Nas cadeias do Himalaia e Karakoram, com a redução do número de montanhas virgens por conquistar, novas vias de dificuldade cada vez maior foram abertas em picos anteriormente atingidos. Destacam-se os feitos de Reinhold Messner, que, além de ter subido o Everest em 1978 sem recorrer a oxigênio engarrafado, o Nanga Parbat em solo - isto é, desacompanhado - em 1979, e novamente o Everest, também em solo, em 1980, já escalou todos os 14 picos do planeta com altitude superior a 8.000 metros. Mas nas últimas duas décadas, o montanhismo difundiu-se por um sem-número de países e tem experimentado, na atualidade, um constante progresso evolutivo. Sua organização, em âmbito mundial, encontra-se a cargo da Union Internationale des Associations des Alpinisme - UIAA, com sede em Genebra (Suíça), congregando federações do mundo inteiro.

FONTE: CEB - Centro Excursionista Brasileiro (ceb@ceb.org.br)

1 de janeiro de 2008

A história do montanhismo

Nasceu o Montanhismo como esporte no último quartel de século XVIII, sob a denominação de "Alpinismo", por ter começado na famosa cordilheira dos Alpes, em plena Europa Central. Foi portanto seu marco inicial a escalada ao 'Mont Blanc', no ano de 1786, considerada como o início da prática do chamado "Nobre Esporte das Alturas", esporte que viria a ser praticado no Brasil com o nome de Montanhismo.

As Primeiras Escaladas no Século XIX

Nossa história registra a conquista de novas fronteiras, através de um ciclo de penetrações e explorações territoriais, iniciado no século XVII, principalmente pelos desbravamentos desenvolvidos por bandeirantes, que estenderam nossas fronteiras muito além do que fora determinado pelo Tratado de Tordesilhas. Nestas investidas, montanhas e picos elevados foram subidos por aqueles intrépidos conquistadores, cujos feitos chegam a ser confundidos com a lenda, sem que ficassem registradas tais ascensões. Foi somente no século XIX, que a crônica veio a registrar as primeiras subidas de montanhas, começando então a sua caracterização esportiva, embora ainda incipiente e com motivações várias. Já em 1828 eram registradas algumas subidas a Pedra da Gávea, fascinante montanha de 842 metros de altitude, onde um capricho da natureza esculpiu imponente efígie de traços humanos, cuja semelhança com o rosto do imperador D. Pedro II, lhe valeu a denominação de "Cabeça do Imperador". Pseudo inscrições rupestres (caneluras geológicas), também fizeram atrair os doutos do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, levando o sábio Mestre Frei Custódio Alves Serrão, membro daquele Instituto, a subi-la a frente de um pequeno grupo, no ano de 1839. Em 1856 ocorre a primeira escalada com "Conquista" de montanha no Brasil, quando o cidadão José Franklin da Silva, morador da antiga Vila de Aiuruoca, movido por pioneirismo quase visionário, escala os imponentes paredões sulcados do Pico das Agulhas Negras, no Maciço de Itatiaia, atingindo então a maior altitude que um brasileiro já alcançara em nosso país: 2.787 metros de altitude. Para lá chegar, o solitário escalador venceu primeiro os pontões principais que antecedem os paredões, depois escalando aquelas muralhas rochosas, sulcadas pela erosão que formou suas caneluras, até alcançar o cume, vencendo uma calha perigosa e muitos abismos. O relato desta escalada foi enviado pelo nosso Montanhista-Pioneiro, à Corte, onde em palavras singelas narrou sobre o caminho que galgara, suas dificuldades e suas belezas, que destaca com entusiasmo e admiração. Em outros pontos do Brasil há narrativas de algumas subidas de montanhas, embora estas movidas por interesses científicos.Já em meados do século XIX, as montanhas do Maciço da Tijuca e de Jacarepaguá eram conhecidas e subidas pelos ruralistas do ciclo do café, daí surgindo suas denominações, a maioria das quais permanece até hoje. Temos a Pedra do Conde, assim denominada em homenagem ao Conde de Bonfim, um de seus proprietários, o Pico da Tijuca, o Pico do Papagaio, o Morro da Cocanha, a Pedra do Archer, a Pedra Feia (atual Pico do Andaraí Maior), o Pico do Morumbí (atual Pico do Perdido do Andaraí), também chamado erroneamente de Pico do Papagaio, no Grajaú, e ainda, o Morro do Elefante e o Pico do Tijuca-Mirím (também conhecido como Pedra Sete). Na Serra da Carioca, o Pico Carioca, o Morro Queimado, e o Pico do Corcovado, também já eram subidos, inclusive tendo uma comitiva da Corte, levado o Imperador D. Pedro II até os 704m de altitude do Corcovado, local onde extasiado pela beleza do panorama, o Imperador sugeriu que se melhorasse o caminho e ali fosse construído um mirante, o que foi feito prontamente. Outra escalada destacada foi a do Pico do Pão de Açúcar, com seus 395m de altitude, que no ano de 1871, foi subido pelo atual "Paredão do Costão", por uma senhora inglesa, seu filho e mais umas pessoas não identificadas, que ao chegarem ao cume e alí hastearam a bandeira da Inglaterra. Tal feito, no entretanto, desencadeou um coletivo protesto por parte da antiga Escola Militar da Praia Vermelha, que tomados de brios e fervor patriótico, encetaram a escalada do Pico pelo mesmo caminho ("Costão"), e após cinco horas de escalada, lograram atingir o cume, levando o "ultraje" de um pavilhão estrangeiro hasteado sobre uma montanha do nosso território, substituindo-o incontinente pelas cores do pavilhão nacional. Foi porém no dia 21 de agosto de 1879, que pela primeira vez foi reunida em nosso país, uma equipe de "montanhistas", tendo como finalidade única, realizar uma escalada de montanha sem outras mais motivações, à não ser apreciar seus panoramas e desfrutar das belezas e da satisfação de vencer as dificuldades que a Mãe-Natureza ali depositou. A glória deste feito é devida a um grupo de entusiastas paranaenses, que formando uma equipe composta por Joaquim Olímpio de Miranda, Bento Manuel Leão, Antônio Silva e Joaquim Messias, resolveram escalar a principal montanha da Serra do Marumbi, pico de mais de 1.500 m. de altitude. José Olímpio era o líder inconteste desta ascensão, e a frente de seus companheiros, rompeu através das matas que cercavam o pico, vencendo-as com denodo, galgando e grimpando sobre lajedos e rochas, até finalmente atingir aquelas alturas, de onde puderam ver o seu Paraná até perder de vista, verde o belo. Era a primeira escalada "esportiva" no Brasil, planejada e estudada, dentro de uma sistemática. Em homenagem ao líder, o pico foi denominado "Monte Olimpo". No ano seguinte, confirmando sua vocação para o Montanhismo, José Olímpio de Miranda, liderando uma nova equipe de escaladores, dessa feita, composta por Antônio Pereira da Silva, José Antônio Teixeira, João Ferreira Gomes, Pedro Viriato de Souza, e os Capitães José Ribeiro de Macedo e Antônio Ribeiro de Macedo, que no dia 26 de agosto de 1880 atingiram o alto do Monte Olimpo novamente. Se não fundaram um primeiro Clube de Montanhismo no Brasil, aqueles paranaenses valentes se constituíram sem dúvida, no primeiro grupo de escaladores de montanhas com embrionária qualificação esportiva. Ainda no final do século XIX, temos novamente a escalada do elevado Pico das Agulhas Negras, até então considerado como a montanha mais alta do Brasil. Desta feita são os escaladores, Horácio de Carvalho e José Borba, que vencendo todas as dificuldades, percorrem o caminho pioneiro de José Franklin da Silva, desta vez, já aplicado artifícios técnicos rudimentares de escalada. A ascensão fora debaixo de frio intenso, enfrentando os escaladores um princípio de mau tempo, com fortes rajadas de vento, mas que não impediu de ambos chegarem ao almejado cume das Agulhas Negras. Algumas outras montanhas conhecidas também foram subidas no decorrer do século XIX, sem que se tenha uma notícia dos nomes de quem as galgaram. É o caso da Pedra Bonita, do Pico do Marapicú, do Morro da Boa Vista, do Morro do Medanha ou da pedra Branca, todos com caminhos de acesso abertos no século passado. Em outros estados, sabe-se por exemplo que o Pico do Jaraguá, em São Paulo, já tinha também sido subido por grupo paulista, sem que seus nomes tivessem sido anotados. Era o montanhismo que despontava pioneiramente para os brasileiros, e cuja a força máxima viria residir no Estado do Rio de Janeiro, no esplendor do século XX.


As Primeiras Escaladas no Século XX

No início do século XX houve grande avanço técnico no Montanhismo, em particular na escalada em rocha e gelo. As principais vertentes do Alpes foram escaladas e em 1938 a face norte do Eiger, uma das maiores paredes da Europa, é conquistada. No Brasil, em 1912, um grupo de Teresópolis, o ferreiro José Teixeira Guimarães, o caçador Raul Carneiro e os irmãos Acácio, Alexandre e Américo Oliveira, após muito planejamento e uma semana de investidas, atingem o cume do Dedo de Deus. Fato que é lembrado como marco do Montanhismo Nacional. Este 'caminho', hoje denominado 'Teixeira', é ainda utilizado para chegar ao cume. As décadas de 40 e 50 foram um período de grandes escaladas e grandes escaladores. Foi escalado o primeiro pico com mais de 8.000 metros de altitude, o Annapurna com 8.078 metros em 1950. O ´Teto do Mundo´ foi atingido, o Everest (8.848 metros) em 1953, pelo neozelandês Edmund Hillary e o sherpa Tensing Norkay. No ano seguinte o K-2, segunda montanha mais alta do mundo. Na Europa Walter Bonatti escala em solitário e no inverno a face norte do Cervino. No campo da escalada em rocha foram escalados o Half Dome (1957) e o El Capitan (1958), na Califórnia, com 800 e 1.000 metros de pura rocha vertical, respectivamente. Sem esquecer do Fitz-Roy na Patagônia argentina, escalado em 1952, por Lionel Terray e Guido Magnone. No Brasil foram escalados o Pico Maior de Friburgo, a Chaminé Rio de Janeiro na imponente face sul do Corcovado e a Chaminé Gallotti no Pão de Açúcar entre várias outras montanhas de igual beleza. Um dos escaladores que mais se destacou nesta época foi Sílvio Mendes. Finalmente, a partir da década de 60, se consolidou o montanhismo esportivo moderno. Com novas técnicas desenvolvidas, equipamentos avançados, treinamentos rigorosos e escaladas cada vez mais atléticas, grandes paredes foram vencidas, entre elas: a Torre Central del Paine (1963) e o Cerro Torre (1974), ambas na Patagônia. São escaladas vertentes cada vez mais difíceis em picos antes já atingidos. Reinhold Messner atinge o cume do Everest sem utilizar oxigênio engarrafado em 1978 e dois anos depois repete o feito, e desta vez, em solitário. Na década de 80 e 90 a escalada desportiva cresce no mundo todo e dificuldades extremas são superadas. Paredes gigantescas que eram antes escaladas em artificial são repetidas em livre. No Paquistão a Grande Trango Tower, talvez a maior parede de rocha do mundo, é escalada. É nesta incessante busca do desconhecido e de novos desafios que chegamos aos dias atuais.


Fontes de pesquisa:
Antiga Revista Montanha;
Apostila do CEB;
Revista Desnível;
"Os conquistadores do Inútil"
O texto é clipping do site de Davi Marsky