11 de dezembro de 2007

11 de Dezembro - Dia Internacional das Montanhas

Para comemorarmos o dia Internacional das Montanhas, repasso mensagem do Mountain Partnership, uma aliança de parceiros que se preocupam com as questões que relacionam conservação e desenvolvimento sustentável nas montanhas de todo o planeta."As montanhas são cruciais para a vida na Terra, assim como os oceanos ou as florestas tropicais. As montanhas são fonte de água doce para metade da humanidade. Também são os repositórios da diversidade genética que ajuda a alimentar o mundo. Mas as montanhas também estão ameaçadas pelas mudanças climáticas, pela super-exploração e pela degradação ambiental. As comunidades de montanha estão entre as populações mais pobres e esfomeadas do mundo: um número desproporcional de 840 milhões de pessoas subnutridas vive em áreas de montanha.O Dia Internacional das Montanhas é uma oportunidade para sensibilizar a sociedade sobre a importância das montanhas para a vida, destacar as oportunidades e dificuldades no desenvolvimento destas áreas e construir parcerias que trarão mudanças positivas para as montanhas e as terras altas do mundo.O Dia Internacional das Montanhas 2007, com o tema ' Encarando as Mudanças Climáticas em Áreas de Montanha', apresenta uma oportunidade para se aumentar a consciência de que os mudanças climáticas globais são uma realidade premente, que as montanhas são particularmente afetadas, e que estas mudanças tem importantes implicações para o ser humano que vive nestas áreas ou fora delas."
Tradução livre.
Fonte: http://www.mountainpartnership.org/

Para os montanhistas, as montanhas são locais que amamos, que freqüentamos, e pelas quais nos importamos.No Dia Internacional das Montanhas é importante lembrar que além de praticantes de esportes de montanha, os montanhistas organizados em federações estaduais, integrantes da CBME - Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, participam ativamente de iniciativas de conservação, integrando os conselhos consultivos e câmaras técnicas de unidades de conservação em áreas de montanha e organizam iniciativas próprias como o Projeto Adote uma Montanha.

Milton Dines

Diretoria de Meio Ambiente CBME - Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada

FEMESP - FEMERJ - FEPAM - FEMEMG - FGM

http://www.femesp.org/
http://www.femerj.org/
http://www.fepam.org/
http://www.fgm.org.br/

3 de setembro de 2007

Sistema Brasileiro de Graduação de Vias de Escalada

Com objetivo de unificar a nomenclatura e a sistemática de graduação de vias de escalada em rocha em todo o território nacional, a partir de agosto de 2007 a CBME passou a adotar o Sistema Brasileiro de Graduação de Vias de Escalada. Este sistema foi desenvolvido pela FEMERJ e aprovado pela Assembléia Geral Extraordinária da CBME em 25/08/2007. A CBME incentiva o uso e a divulgação deste Sistema por suas filiadas bem como por todos os Montanhistas e Escaladores Brasileiros.

Clique aqui para ver o sistema de graduação

30 de abril de 2007

Glaciar de Los Polacos - Aconcágua 2000

Meados de maio de 2000 - Ainda estava trabalhando na Fio Forte, pesquisando sobre a produção de equipamentos de montanhismo, quando dei início ao projeto de escalada do Aconcágua pela glaciar de Los Polacos. Nessa mesma época fiz curso de bombeiro voluntário através da ESBO de Porto Alegre e nesta oportunidade convidei meu amigo Sandro Dal Magro para escalar o Aconcágua, o qual aceitou prontamente. Iniciamos então a fase de obtenção de patrocínio e apresentamos o projeto a várias empresas. Algumas ofereceram apoio e outras descartaram totalmente o patrocínio, por enquanto nada. Aos poucos fomos conseguindo várias empresas que nos apoiaram e fomos percebendo que nosso projeto estava tornando-se realidade. Nossa preparação física não estava das melhores, treinando separadamente, um em Porto Alegre e outro aqui em Caxias do Sul. A 40 dias da partida intensifiquei meu treinamento com natação diária e o Sandro tratando de recuperar uma lesão na coxa. Elisa, minha namorada, que o diga, minha situação de ansiedade antes de partir para a Argentina na última semana, mesma data que fechei contrato com nosso único patrocinador, a Emercor emergências médicas, filiada a rede SIEM com serviços em Santa Fé e Mendoza. Dia 20 de fevereiro de 2001 partimos de Caxias de carona com um ônibus da Marcopolo que nos deixou em Mendoza três dias após uma estada nada agradável nas aduanas brasileira e Argentina. Chegamos em Mendoza às 23h30min do dia 23 de fevereiro e fomos direto ao albergue Campo Base, no centro da cidade que estava lotado e dormimos improvisadamente na sala do albergue. No dia seguinte visitamos a empresa de emergências médicas filiada a SIEM de Mendoza. Em seguida retiramos/compramos nosso permiso (US$ 80,00) para escalar o Aconcágua na Subsecretaria de Recursos Naturais Renováveis. Pesquisamos preço e compramos os equipamentos que faltavam no Orviz Alta Montanha, contratamos o serviço de transporte por mulas para levar parte da carga da vila até o acampamento base, através da INKA expediciones e partimos com eles para Penitentes, penúltimo vilarejo antes de entrar no parque onde chegamos às 23:00h. Que DIA!! Junto conosco estava um casal de Porto Alegre que iria fazer um trekking no Aconcágua. 25 de fevereiro - Preparamos e entregamos os haul bags que sairiam no dia seguinte. Depois fomos com a INKA de Land Rover, na carona do casal porto-alegrense conhecer o Cristo redentor, fronteira Argentina/Chile, a 3.715 metros de altitude, um lugar espetacular onde podemos ver bem o cerro Tolosa, ultrapassando os 5.400 metros e bem próximo o cerro Madalegna com 3.820 metros. Para se chegar ao Cristo, passamos por Puente Del Inca e las Vacas , então é necessário subir uma serra de 8,5km de chão, totalmente exposta. Na volta passamos pelo cemitério andino e encontramos a pedra em homenagem a Mozart Catão. 26 de fevereiro – Saímos de Penitentes às 13:00h de carona com o Maurício que ia levar o casal de Porto Alegre a entrada do parque. Descemos em Puente Del Inca e logo começamos a subida ao Bandeirito Sur (Quebrada Blanca), Entre subida e descida foram 6 horas, sem trilhas e nenhuma marcação. De lá avistávamos perfeitamente o Aconcágua, batemos umas fotos e descemos rapidamente. Aproveitamos para testar os rádios e na volta em Puente Del Inca um super banho de águas termais. O Sandrinho estava morto de cansado. 27 de fevereiro – Gerardo nos levou até a entrada do parque a 2.900m onde há um helicóptero que vai até o campo base fazer resgate/abastecimento. Iniciamos a caminhada a Confluência, 3.300m às 14:00h e chegamos às 17:45h. Cada um com +/- 30kg. A noite encontramos o casal de brasileiros que tinham ido até Plaza Francia, campo base da face sul do Aconcágua. Estavam mortos de cansados. 28 de fevereiro – Levantamos às 9:30h, tomamos o cafezão e ficamos descansando. Explodiu o fogareiro novo. Mais ou menos às 16:00h fizemos uma caminhada até próximo a base do Tolosa a +/- 3.800 metros. 01 de março – Ao meio dia iniciamos a caminhada até Mulas. Foram 8 horas junto com os mexicanos. Chegamos em Mulas, acabados. 02 de março – Não fizemos nada, contatamos o médico e tudo bem. 03 de março – Fomos ao médico e a situação estava melhor. Estávamos nos hidratando bem. Levamos parte do equipo a Nido, 5.400 metros, inclusive as máquinas fotográficas e descemos a Mulas.Neste dia o guarda parque estava lá em Nido, inclusive solicitei que, quando possível desse uma olhada na nossa barraca. 04 de março – Escalamos os Penitentes, com até 10 metros de altura, “multigabal”; com parafuso, cadeirinha e tudo. as máquinas estavam em Nido e não fotografamos nossa escalada nos penitentes. 05 de março – Subimos a Nido com o resto das coisas e com tempo horrível, a noite “foi pra matar”, quase não dormimos, mais ou menos – 40ºC de sensação térmica. 06 de março - Ficamos em Nido nos hidratando e curando a diarréia, devido a não fervermos a água do degelo.No final da tarde o Sandro teve um pouco de dor de cabeça. Era grande a dificuldade de se obter água através do derretimento do gelo, nossos fogareiros não eram os aconselháveis. Na medida do possível tomamos 3 litros de líquidos, apesar da recomendação de 4. A noite novamente foi terrível, aproximadamente –40ºC, cristais de gelo se formavam no teto da barraca e na madrugada, às 5:00h, ¼ do teto da barraca estava tomado por uma camada de até 3mm de gelo e que com o sacolejo do vento caiam sobre mim. 07 de março – Acordamos às 7:00h e devido ao frio não dormimos mais. O quadro de saúde do Sandro se agravou na noite passada com dor de barriga, ânsia de vômito, diarréia e dor de cabeça. Eu também estava com diarréia e acordei com um pouco de dor de cabeça. Conversamos sobre futuro da expedição e acordamos que não era necessário mais nada para encerrarmos a expedição. Tarefa que não foi fácil aceitar. Descemos até as Mulas com todas as coisas e dormimos melhor, atitude que os mexicanos que vinham nos acompanhando também tomaram, o que deixou-nos mais convictos de nossa decisão. 08 de março - De mulas baixamos direto a entrada do parque, +/- 40km e o Sandro com a mochila 8kg mais pesada que a minha, isto porque após um tombo na Costa Brava, ofertei ao muleiro, algumas sacolas de comida, aliviando meu peso. Saímos às 13:00h de mulas e chegamos na entrada do parque às 22:00h, acabados. Comemos como loucos e encontramos os mexicanos com os quais conversamos e tomamos tequila noite adentro. 09 de março - Saímos às 12:00h de Puente Del Inca para Mendoza, em ônibus de linha, empresa Uspallata, a US$ 10,00 e pegamos ônibus para Santa Fé no mesmo dia. 10 de março - Chegamos em Santa Fé mais ou menos às 10:00h e fomos conhecer a empresa de emergências médicas, filiada a SIEM, de Santa Fé, a pedido da Emercor de Caxias do Sul. Às 13:30h saiu o ônibus para Porto Alegre, onde chegamos dia 11 de março, domingo às 7:00h. Torno a registrar meu anseio de retornar aquela montanha e escalar o glacial de los polacos. Agradeço, de coração, aos que puderam tornar possível esta expedição, essencialmente a patrocinadora, Emercor emergências Médicas. Aos apoiadores, Gilmar Maccagnan - foto telas, Arenke têxtil, Rider Beach, Olivani, Foto Cine Caxias. Aos colaboradores, West Coast, transporte Pellenz Ltda, Prado distribuidor, Imunizadora Mendes, Posto galiotto, Raiar Natação e hidroginástica, Vitamed, JR Aviamentos, Fly Tour Viagens e Turismo e Associação Caxiense de Montanhismo. Agradecimento especial a Abrelino e Noeli Frizzo e ao Benitez da New Age Agência de Propaganda.

16 de abril de 2007

ACM realiza mais uma atividade com Bombeiros

Proposta de remoção escolhida após análise realizada na sede da ACM pelos presentes porém não esgotando outras alternativas: intervenção descendo a encosta, de rapel, já levando maca rígida, tipo mamute. Suspender a vitima através de sistema 3 : 1, com esforço reduzido através de sistema de contrapeso por corda secundária e também aliviado pelo fato do acompanhante da vítima ir subindo, com jumares e estribos, em corda auxiliar, deixando somente a vítima, maca, amarrações e mosquetões suspensos pelo 3 : 1 e com auxílio do contrapeso.Disparado o cronômetro, comecei a distribuir tarefas e equipamentos, o Thomas subiu levando as cordas do contrapeso (20 e 30 m), mosquetões (8 de aço, oval), fitas (4 de 120cm), maca e equipamento pessoal e o Bombeiro Sd Flaviano Azevedo dos Santos o seguiu levando a corda para içamento (100m), polias (4), cordeletes (2), mosquetões (8 de aço, oval). Cerca de 10 minutos. A montagem das ancoragens, num total de 4, sendo: a corda fixa para o homem do contrapeso rapelar e a corda de contrapeso, que estará fixada a ancoragem da maca, passando pela ancoragem no topo e descendo fixa à cadeira do contrapeso. A corda fixa para o acompanhante da vítima ascender com a vítima e a corda de içamento da maca com a vítima. Cerca de 25 a 30 minutos. O Thomas desceu a maca até a base através de uma das cordas e em seguida rapelou simulando a chegada na vítima e supervisionou a equipe de terra fixar a vítima, Camila, na maca e também prepararmos a amarração da maca na corda de içamento com auxílio do Sgto.Pedot. Dois pedaços de corda de aproximadamente 4 metros cada, amarrados pela ponta com fiel e arrematados com meio pescador, nas quatro extremidades da maca, formando um retângulo de forças. Um nó oito no seio de cada pedaço de corda e dois mosquetões de aço, travas invertidas, sustentando maca e vítima A maca de tubos de aço, soldada, parecia resistente e com sobra, mesmo assim a Camila estava encadeirada e fixada também nos mosquetões que uniam a maca à corda de içamento. Cerca de 10 minutos. Neste meio tempo o Thomas subiu pelas escadas e preparou-se para descer no contrapeso. Ainda não tínhamos fixado a corda para o acompanhante subir ao lado da vítima. Cerca de 5 minutos, contando com instrução rápida de como ascender pela corda usando gri-gri, jumar e estribos. O contrapeso começou a descer, o acompanhante da vítima, o Bombeiro Vanderlei Melo de Sousa, estava flutuando a postos e a maca começou a subir quando o 3 : 1 entrou em ação, neste momento haviam dois e por vezes 3 bombeiros em cima, o Flaviano, controlando o sistema, o Sgto. Cristiano, controlando o cordelete de bloqueio do 3 : 1, fixado com nó mariner na ancoragem e o Ten. Matos, na assessoria. Em menos de 15 minutos a vítima estava no topo do "paredão" e a "salvo".

27 de fevereiro de 2007

Ganhador do Piolet d’Or questiona o sentido do prêmio

Um ponto de vista interessante... O esloveno Marko Prezelj, ganhador do Piolet d’Or este ano, junto com Boris Lorencic, pela primeira ascensão do pilar noroeste do Chomo Lhari (Tibet), escreveu em carta divulgada recentemente que o motivo de ter ido à cerimônia de premiação na França não foi pelo prêmio em si, mas pela oportunidade que teria de expressar a sua opinião sobre este tipo de evento no meio do montanhismo. Na cerimônia porém, o escalador não conseguiu se expressar como gostaria, devido às limitações do seu inglês. Mais tarde, com mais calma, escreveu uma carta expressando suas idéias sobre o Piolet d’Or e outras premiações similares. Fala abertamente sobre "circo e fama", do papel dos organizadores e da mídia, do erro ao emitir um "juízo objetivo sobre a ascensão de outra pessoa" e dos caminhos que estes eventos deveriam tomar para evoluir, sem a necessidade de determinar "vencedores e perdedores". Segue abaixo a tradução integral da carta do montanhista esloveno (do site da Desnível).

GLADIADORES E PALHAÇOS D’OR
Sexo (virtual) com Miss Fama?

Muitas pessoas me criticaram por ter participado da cerimônia do Piolet d’Or este ano. Nenhuma delas estava em Grenoble. Juntar-me a este circo me deu a oportunidade de apresentar publicamente a minha opinião sobre o prêmio. O tempo dirá se isso foi ou não um erro. Eu não acredito em prêmios para o alpinismo, muito menos em troféus ou títulos concedidos pelo público ou pela mídia. Na cerimônia pude ver e sentir o espíritocompetitivo criado e alimentado pelos organizadores do evento. A maioria dos escaladores prontamente aceitou este clima sem compreender que haviam sido empurrados para dentro de uma arena onde os espectadores são movidos pelo drama, onde vencedor e perdedor são julgados. Não é possível julgar a escalada de outra pessoa objetivamente: cada ascensão contém estórias não contadas, influenciadas por expectativas e ilusões que se desenvolvem muito antes de se colocar os pés na montanha. No alpinismo, até o juízo mais pessoal é extremamente subjetivo. Quando retornamos das montanhas, lembramos dos momentos de forma diferente de como aconteceram – naquele local e hora – no momento em que tivemos que tomar decisões sob a pressão de muitos fatores. Comparar escaladas diferentes não é possível sem algum tipo de envolvimento pessoal, e mesmo assim é difícil. No ano passado escalei no Alaska, Patagônia e Tibet. Eu não consigo decidir qual expedição foi a mais .... a mais "o quê" de fato? Para ilustrar isso eu perguntei (durante a primeira parte da cerimônia) ao pai de vários filhos, qual deles ela considerava o mais/melhor e qual deles o pior? Ele não soube responder. Eu poderia escolher qual vinho, comida, música, livro ou filme eu gosto mais, em um determinado momento, mas um júri não pode decidir qual é o melhor, pior, ou mais para todos em um ano. Se um júri elege um único vencedor, isso automaticamente implica em um perdedor, que é a essência de uma competição. E um primeiro lugar implica que há um segundo, terceiro, e um último lugar. Será o último lugar realmente menos/pior, ou seriam os vencedores apenas mais adequados ao jogo da manipulação? Teriam eles exagerado a "beleza" da sua ascensão de forma mais contundente, e realizado um melhor marketing pessoal frente ao júri? A idéia de encontros inspiradores no meio da escalada é positiva, porém não posso apoiar a idéia absurda desses mesmos escaladores "competirem" no alpinismo. Na cerimônia do Piolet d’Or eu me posicionei contra esse tipo de competição. Disse que o troféu não é importante para mim porque a escolha de um vencedor é subjetiva, assim como nos concursos de beleza ou de canto, e a influência comercial no evento é óbvia e definitiva. Mas meu inglês pobre me impediu de ser claro. Mas a história do Piolet d’Or deixa claro que comparar escaladas (e seus protagonistas e ideais) não tem sentido, e muito menos, fazê-lo no decorrer de todo um ano. Se comparar é impossível, o que então a mídia e patrocinadores apresentam e promovem, e porquê? Para aumentar as vendas, ou pela FAMA talvez? Na Eslovênia, a palavra que se utiliza para fama é também um nome de mulher: "Slava". Pessoas mais velhas costumavam dizer: "Slava je kurba" (Fama é uma prostituta), um dia está dormindo com um e no dia seguinte com outro. Fama é uma armadilha barata armada pela mídia, na qual os complacentes rapidamente caem e são explorados, percebendo tarde demais que confiança e honra não habitam sob o mesmo teto da notoriedade. O público não se importa realmente com os escaladores, que são elos em uma corrente incestuosa ligando uma fome doentia por atenção à mídia que promove ou critica de acordo com seus interesses. Os organizadores do Piolet d’Or sabem e contam com o cruel fato que sempre irão encontrar um monte de gladiadores e palhaços apaixonados e desesperados para desempenhar um papel no jogo da fama. A pergunta maisinteressante é se isso é um ‘reality show’ ou novela. Se a idéia romântica do Piolet d’Or irá sobreviver no futuro, ela deve evoluir para um simples encontro, onde escaladores possam trocar idéias, e compartilhar seus sonhos, ilusões, e realidades. Talvez possam até escalar juntos – ninguém sendo considerado vencedor ouperdedor. Se isso não for possível, então peço à mídia e aos promotores que parem de forçar o espírito competitivo para dentro do alpinismo, e que comecem a respeitar os alpinistas, as suas diferenças humanas e a criatividade das idéias que fazem do alpinismo uma experiência complicada e recompensadora. Peço desculpa se ofendi alguém que é viciado em Miss Fama; ela sai por aí, portanto cuidado com DSTs. E finalizando, os alpinistas são as balas, e a mídia é um rifle. Onde está o alvo?

Marko PrezeljKamnik, Eslovênia
Segunda semana de fevereiro de 2007