29 de maio de 2006

Rapel na Cachoeira do Caixão

Cachoeira do Caixão, 70 metros, Arroio Sepultura, Ilhéus, Vila Seca, Caxias do Sul. Estava na reunião da ACM na Quinta e perguntei se alguém estava a fim de encarar um rapel longo e caminhada para o feriado de Caravagio, e o Lucas Longhi se prontificou. Era um acompanhamento final do curso de escalada do Ricardo Varela, que levou sua namorada Taís. Partimos de Caxias cerca de 09 horas em direção à chácara do Samuel Finger, que viria mais tarde. Chegamos na fazenda e fomos recepcionados com um cafezinho pra orientar a galera. Logo partimos para montar o rapel e verificar se havia comprimento de corda suficiente. Tivemos que rebaixar ao máximo a linha de rapel e também deslocarmos o ponto de ancoragem para não descermos no meio do lago no pé da cascata (a intenção inicial era realizarmos um rapel guiado atravessando por cima do lago, mas as cordas eram curtas). Tudo pronto e sem conseguir visualizar se as cordas chagavam ao chão descemos o Lucas e eu. Observando a beleza da cachoeira refletida pelo sol, descemos devagar curtindo e fotografando. O Lucas só chegou ao chão devido ao alongamento da corda. Passamos um rádio comunicando o fato e liberamos o Ricardo e a Taís (que estava fazendo seu primeiro rapel) para descerem. Demonstrando muita coragem Taís desceu tranqüilamente e ambos chegaram em segurança na base, e muito molhados. Breve pausa para lanche, troca de camisetas e uma torcida nas meias e logo iniciamos a subida. Esperávamos uma mata fechada sem trilhas, como ocorreu em outro momento, mas descobrimos uma trilha bem batida e chegamos rapidamente até um mirante desconhecido, perto do topo da cascata. Descansamos ali observando um enorme paredão com muitas chances de escaladas e alguns boulders para serem abertos, enquanto secavam meias e camisetas. Logo o Samuel chegou, confraternizamos com a cachaça de gengibre com mel preparada pelo Thomas e logo em seguida recolhemos as cordas e viemos embora. Recepcionados com mais um belo café, conversamos com os proprietários até anoitecer. Saímos agradecidos pela hospitalidade tradicional dos Finger e felizes pela aventura vivida.
Texto: Juliano Perozzo

28 de maio de 2006

Patagônia 2006: A escalada do vulcão lanín

Era uma segunda feira, final de fevereiro de 2006, quando cheguei a pacata cidade de Junín de Los Andes, onde imediatamente saí em busca de informações sobre o Vulcão Lanín. Situado no sudoeste da Província de Neuquén, na Patagônia Argentina, o Vulcão Lanín localiza-se na área protegida de competência do Parque Nacional Lanín, a cerca de 110 km da cidade de San Martin de Los Andes. Lá estava eu, com um enorme desejo de conhecer e subir aquele imponente vulcão, admirando do seu cume a esplêndida paisagem da região dos lagos patagônicos chilenos e argentinos. Eu já estava bastante cansado antes mesmo de chegar ao vulcão, pois havia acabado de chegar de Bariloche, onde conheci a região do Frey e Cerro Catedral, onde caminhei bastante. Entretanto, naquele momento, perambulando pelas ruas da cidade, minha maior preocupação era encontrar alguma pessoa que estivesse disposta a compartilhar as despesas de aluguel de um rádio comunicador VHF. É que para subir o vulcão é necessário ter uma série de equipamentos exigidos pela direção do parque, entre eles um rádio VHF. Sem estes equipamentos você não ganha a autorização para subir. O aluguel do rádio VHF mais barato que encontrei na cidade custava 45 pesos argentinos por dia, o que seria muito caro para mim, que já estava viajando “na pendenga” a mais de dois meses. Como ainda não havia encontrado ninguém na cidade, resolvi comprar uma boa quantidade de comida e acampar na base do vulcão, local que supostamente seria mais fácil encontrar pessoas dispostas a subi-lo. Já com provisões para uns 6 dias na mochila, fui comprar a passagem para o Paso Mamuil Malal (Ex- Passo Tromén) e descobri que naquele dia o motorista sairia mais cedo. Voltei até o albergue correndo para arrumar minhas coisas. Cerca de 15 minutos antes da van vir me buscar, chegou no albergue um argentino de Buenos Aires, com uma mochila grande e uma piqueta pendurada nas costas. Imediatamente perguntei a ele se iria para o Vulcão Lanín e ele disse que sim, mas que não tinha um rádio comunicador. Sorte a minha, tinha acabado de conhecer uma pessoa na mesma situação, assim pelo menos o aluguel do rádio já sairia pela metade do valor. Eu e o argentino (Elói) fomos então com a van até o Paso Mamuil Malal, fronteira entre Argentina e Chile, onde montamos nossas barracas em um camping organizado. No dia seguinte ficamos descansando no camping já que o vulcão estava encoberto por uma grande massa de nuvens. Segundo as previsões meteorológicas na quinta-feira o mal tempo iria dar uma trégua, e assim esperávamos. Enquanto eu e Elói esperávamos a janela de tempo bom fizemos amizade com o funcionário que trabalha no camping e passamos o dia conversando e tomando mate argentino. Neste mesmo dia consegui ligar para casa de um telefone público que fica dentro do quartel de militares próximo ao camping, para avisar que estava tudo bem. No dia seguinte, torcendo que a previsão de tempo estivesse certa, acordamos cedo para fazer o Check-up dos equipamentos junto à direção do parque e solicitar autorização para ocupar um dos refúgios da montanha. O tempo já começava a melhorar e já era possível ver a cara leste do vulcão, justamente a rota que iríamos subir. Logo que saímos do camping encontramos dois argentinos de Bariloche (Xavier e Maurício) que estavam na mesma situação que a nossa, ou seja, tinham todo equipamento exigido pelo parque, com exceção do rádio VHF. Já fizemos amizade com eles e assim conseguimos compartilhar o valor do aluguel em quatro pessoas. Esperamos os argentinos de Bariloche se arrumarem e fizemos o Check-up dos equipos junto ao Guarda-Parque. Todos liberados e autorizados, começamos a caminhada até o refúgio que iríamos ficar, o “BIM26”. Saímos do camping, atravessamos um bosque, e logo demos início a uma caminhada sobre rocha vulcânica esfarelada. Em pouco tempo entramos numa rota chamada “espiña del pescado”, que sobe até uns 1.500 metros de altitude. Ali é necessário tomar a única via de acesso aberta aos refúgios, uma rota chamada “camiño de mulas”. Do refúgio “RIM26” é possível ir até os outros dois refúgios em cerca de meia hora. Gostaria de ter acampado no último refúgio, o “CAJA”, porque é mais alto, mas infelizmente já estava lotado. Chegando ao nosso refúgio, depois de 5 horas e meia de caminhada bem íngreme, fiz uma boa janta, tomei um chá e fiquei conversando com outras pessoas. Além de nós quatro, ainda estava no refúgio uma expedição comercial de 5 pessoas (com guia contratado), sendo 3 homens e 2 mulheres. Todos foram dormir cedo, descansar da subida e principalmente para acordar pela madrugada e fazer o ataque ao cume. Eu fui um dos últimos a deitar, fiquei observando o pôr do sol ao oeste e a sombra do lanín se projetando na planície leste. São momentos como este que justificam todo o esforço e o preço que se paga por estar ali, vendo com os próprios olhos. Depois dos últimos raios de sol fui deitar e não consegui pegar no sono. Na minha mente se atravessavam milhares de pensamentos enquanto estava deitado naquele chão de pedra fria. Estava preocupado com o tempo e não fechei os olhos um minuto sequer. Tentava me concentrar para dormir, mas ficava apreensivo e inconscientemente prendia minha atenção no ritmo da respiração das outras pessoas que estavam dormindo naquele refúgio. No meio da noite, enquanto todos dormiam, acabei saindo do refúgio por alguns instantes para ver o céu e as estrelas. E que céu! E que estrelas! Sem nuvens, o vulcão estava iluminado pela luz da lua, e acima de seu cume milhões de estrelas espalhadas no céu. Com toda certeza, uma das cenas mais bonitas que já vi. As 3h30min um relógio despertou e a expedição comercial que estava no refúgio começou a organizar sua saída. Enquanto isso eu também me levantava e preparava minhas coisas para sair logo, pois queria aproveitar as horas de noite no gelo, que estaria em melhores condições. Os argentinos que estavam compartilhando o rádio comigo também começaram a se preparar e saímos juntos, uns 15 minutos depois do grupo guiado. A noite estava linda, muitas estrelas podiam ser vistas no céu e o gelo duro apresentava excelentes condições. Se esperássemos pelo sol para sair o gelo derreteria e a caminhada na neve seria extremamente complicada. Caminhamos em fila por 20 minutos em uma trilha de muitas pedras e logo colocamos os grampões embaixo das botas. De saída subimos uma rampa de gelo e entramos num glaciar, onde contornamos uma série de grande gretas até alcançar o refúgio CAJA. Chegando lá entramos em um tramo de neve onde caminhamos por mais 1 hora até um grande platô, conhecido como “plateau de los 3000”. Bati algumas fotos do nascer do sol, que gerou uma coloração vermelha no gelo. Era possível ainda ver os lagos a quilômetros de distância encobertos por densas camadas de nuvens. Daquele local saímos pela direita, observando o Vulcão Villarica, que lançava uma fumaça negra da sua cratera, e o Vulcão Quetrupillán, que explodiu em uma erupção há algumas décadas. Logo encontramos um grupo de 10 militares que também estavam subindo, saindo do refúgio "BIM". Subimos vagarosamente por uma grande rampa de neve de onde vi o sol nascer. Ali já estava mais cansativo caminhar devido a altitude um pouco elevada. Para suportar o frio nos pés cobri minhas botas de trekking com duas sacolas plásticas de supermercado, sem contar os 3 pares de meias grossas. Mais algumas horas de caminhada e entramos em outro setor na montanha, chamado de "canaleta del cumbre", o único local de acesso ao cume pela cara norte da montanha e o último grande desafio para quem sobe por esta rota. Foi muito cansativo subir este trecho devido a sua grande inclinação, o que fez com que várias vezes pedras rolassem para baixo quando alguém as tocava. Quase no final da canaleta entramos num trecho misto, com gelo, pedras e neve, onde era preciso fazer passagens e travessias um pouco expostas. Dali para cima não havia nada para impedir a chegada ao cume. Olhei para baixo e meus três amigos argentinos estavam a uns 100 metros, junto com a expedição guiada. Para cima os militares entravam em uma rota pela direita, quando o mapa dizia que era melhor pela esquerda. Saí de um grande platô de gelo e entrei na rota da esquerda. Caminhei mais alguns minutos ignorando todo o cansaço que tomava conta do meu corpo, e a forte dor na perna esquerda. Faltando poucos metros para chegar no cume comecei a gravar um vídeo com minha máquina digital, mas as pilhas acabaram. Coloquei pilhas novas e reiniciei a gravação do vídeo. Um minuto e foi suficiente para terminar novamente com a carga das pilhas recém colocadas. Certamente a descarga das pilhas foi causada pelo frio. Eu só tinha mais 2 pares de pilhas no bolso e se as demais se comportassem da mesma maneira eu sairia da montanha sem uma foto de recordação, o que não admitia em nenhuma hipótese. Aqueci as pilhas na luva e coloquei na máquina torcendo para que funcionassem. Comecei a gravar novamente o vídeo caminhando lentamente por uma rampa de neve. Olhei para frente e vi o grupo de militares parado num grande platô, todos se abraçando, e depois deles não havia nada, apenas o horizonte se perdia de vista numa vista panorâmica. Naquele momento percebi que nada mais precisava subir e, assim, no dia 2 de março de 2006, às 11h20min, depois de mais de 30h sem dormir, 6h30min de caminhada, eu pisei no cume do Vulcão Lanín. Com um sorriso no rosto, enquanto meu olhos percorriam toda aquela paisagem que me era entregue, senti o gosto da concretização de um sonho, cujo planejamento vinha desde a idealização da expedição patagônia 2006. Eu estava feliz. Logo após chegou a expedição guiada e os amigos argentinos, comemoramos e batemos muitas fotos. Elói, o outro argentino que compartilhou o VHF conosco, não chegou ao cume, cedeu ao cansaço na metade da canaleta, junto com uma mulher da outra expedição. Fiquei por quase 50 minutos parado no topo do vulcão, e aí percebi que era necessário descer toda a montanha. A descida foi mais rápida, mais quente, porém um pouco mais perigosa. A neve amoleceu por causa do sol e começou a acumular constantemente nos grampos abaixo das botas. Quando os grampos enchiam de neve perdiam o contato e o escorregão era certeiro, sendo necessário travar a queda com a picareta. Assim, desci uma boa parte do trajeto de “ski-bunda”, ou seja, sentava na neve e deslizava como se fosse um trampolim, sempre controlando a velocidade com a piqueta. Depois de algumas horas regressando pelo mesmo caminho que subimos, chegamos no refúgio e começamos arrumar nossas coisas. Eu estava simplesmente acabado de cansaço, mas todos queriam descer para não ter que pagar um dia a mais de aluguel do rádio. Depois de fazer um rápido lanche, desci vagarosamente até o acampamento na beira da estrada, onde cheguei por último, sem condições sequer de conversar. Minhas últimas energias serviram apenas para montar a barraca e abrir o saco de dormir, onde deitei e dormi por mais de 15h. No dia seguinte, a tarde, nos despedimos dos amigos e eu e Elói fomos para a cidade de San Martin de Los Andes. No mesmo dia Elói foi para Bariloche e eu procurei um albergue para dormir para no dia seguinte seguir minha viagem. Já na estrada novamente, pela janela do ônibus, via o Lanín muito distante, marcando a paisagem pela sua altura e beleza. Fiquei olhando para ele por alguns momentos até que se perdeu de vista no horizonte. Coloquei meus fones de ouvido e segui pelo caminho dos andes.

Dicas para quem quiser escalar o Vulcão Lanín:

  • Você pode partir de Junín de Los Andes ou San Martin de Los andes. San Martin é maior e possui opções melhores de lojas, albergues, etc.
  • Em Junín a empresa "Alquimia" realiza o transporte até o vulcão, por 25 pesos. Na rodoviária há também ônibus ao vulcão, mas é mais caro.
  • Na praça de Junín de Los Andes há um quiosque de informações turísticas sobre o vulcão.
  • Há um camping em frente ao vulcão, por 6 pesos ao dia, com banheiros e comida para vender. Ali pode-se alugar também crampões, rádios, piquetas, botas duplas e outros equipamentos.
  • Não esqueça de fazer o check-up dos equipamentos junto a administração do parque, que fica ao lado do camping. Eles irão te fornecer dicas preciosas sobre o tempo, sobre a rota, e ainda reservar um local para dormir num dos três refúgios gratuitos.

  • Visite o site da administração do parque, lá contém uma série de informações importantes.
    Se você quiser escalar a face sul (técnica), leia o site da administração e veja os mapas, pois é necessário tomar um ônibus diferente.
  • Sobre a Face sul do Lanín há um relato de escalada interessante do paulista Maurício Grego. Clique aqui para ver. Há dicas interessantes no site também.

  • Caso necessite de mais informações entre em contato que terei o maior prazer em ajudar.
  • Boa escalada.

10 de maio de 2006

Parceiros de escalada

Salvo se você for um amante da solidão absoluta, quando for para as montanhas, juntamente com a marca do papel higiênico, da corda e do arroz, terá que escolher um companheiro que te acompanhe. Ainda que você não acredite, existem coisas que podem ser mais importantes que a preparação física, o hábito de limpeza ou a capacidade técnica.

Confira abaixo os principais grupos de companheiros expedicionários.

Grupo A: São os que todo o tempo fazem tudo o que há para se fazer. Acordam antes de todos e preparam o café da manhã. Antes da viagem fazem as compras. São os que durante horas proporcionam neve para fabricar água. Enquanto seus companheiros descansam ou dormem, tomam conta do fogareiro para que a barraca não se incendeie ou que a sopa não se derrame. Nunca usam luvas quando a tarefa é necessária deve ser feita com a mão nua. Estão sempre acordados quando o vento desarma a barraca ou quando há que se sair para tirar o excesso de neve do teto. Tiram as fotos, armam os rapéis, arrumam a corda, oferecem balas e água, cevam o chimarrão....

Grupo B: Os preguiçosos com complexo de culpa! Trata-se de pessoas muito honradas. Se não fora por suas limitações morais, poderiam pertencer ao grupo C, mas a maldita consciência atormenta suas vidas. Preferem não fazer nada, mas a desigualdade acaba por lhes perturbar o sono. Então assumem importantes tarefas: pegar um pacote de queijo ralado, arrumar a barraca e ver se está nublado. A este mesmo grupo pertencem os que não fazem nada mas acreditam serem imprescindíveis. Sua função é dar ordem a todo o resto, comodamente deitados...O companheiro haverá armado a barraca, buscado neve, derretido água e cuidado o fogareiro por uma hora (sempre sob as ordens e supervisão do arrogante). A cena está perfeita, então o arrogante dirá satisfeito ao seu laborioso companheiro: Gostou da comidinha que te preparei? (a história é real) .

Grupo C: Os preguiçosos, sem consciência, mas com instinto de sobrevivência. Não fazem nada e não sentem culpa por isso. A única forma de que trabalhem é que sua vida corra perigo. Possuem uma extraordinária faculdade que poderíamos denominar "quarta lei da termodinâmica": todo objeto que num momento determinado seja necessário, estará a respeito deles o dobro do quadrado da distância entre esse objeto e seus companheiros. Seu cantil será o mais profundamente guardado dentro da mochila quando se tenha que recarregar a água. Se eles estão fora da barraca, o trabalho estará dentro e vice versa. Se é necessário tirar as luvas para alguma coisa, eles terão postos 14 pares. São uns modelos perfeitos, saem em todas as fotos. Têm duas posturas típicas: deitados dentro do saco de dormir ou de pé com as mãos no bolso. É muito provável que alguns tenha aprendido a mijar sem usar as mãos. São uns autênticos egoístas.

Grupo D:
Os idealistas da preguiça! Em 1988, enquanto fazíamos uma aproximação à base do cerro Tolosa em Mendoza, presenciei uma cena que exemplifica perfeitamente esse tipo de atitude. Final de tarde, já estabelecidos no lugar de acampamento duas barracas. Havíamos chegado bem sedentos, com muito pouca reserva de água. Na minha barraca não havia problemas, meu companheiro era um típico expoente do grupo A, e se ocupou de quase tudo, incluso de "fazer" água. A outra barraca, integrada por dois expoentes do grupo D, restava-lhes um resto de água num cantil. Como resolveram o problema da sede por esse dia? Fizeram água? Não. Repartiram a água? Tampouco. Preferiram algo parecido à roleta russa. Fizeram um sorteio. O que ganhou tomou a água. O que perdeu foi dormir. São seres estanhos. têm uma lógica diferente. Sua escala de valores e prioridades é extremamente simples: nunca fazem nada. Toda outra questão é acessória, postergável, prescindível. Carregam a menor mochila, são os últimos a acordarem, chegam tarde, não treinam, não sabem nunca para que serve alguma coisa, as vezes não sabem aonde estão. Merecem certo respeito pois são os mais idealistas de todos: sacrificam suas próprias vidas antes à renunciar a sua preguiça. Acabamos por perdoá-los.

Grupo E:
São autos destrutivos. Não são preguiçosos, eles fazem coisas, mas estão atrás de tudo o que possa lhes prejudicar. Carregam todo o tempo objetos pesadíssimos e desnecessários. Regulam mal os Crampões. Nas saídas de alta montanha quebram os óculos. Não tomam água. Derrubam a panela cheia de sopa encima de suas bolsas de dormir. Sempre têm uma extravagante desculpa às suas condutas niilistas. Em alta montanha não o perca de vista, podem não aparecer mais. Convêm que você, antes de sair à alta montanha com um indivíduo desse grupo, aprendas mecânica, primeiros socorros e algo de psicologia. E se você for nervoso, que deus te ajude.

Como funcionam as coisas entre os membros dos distintos grupos?

Os do GRUPO A se dão bem com quase todos, melhor ainda se é com um do GRUPO E. Ao primeiro lhe encantará resolver a extravagante gama de problemas que lhe ira criando um do GRUPO D. Será como um jogo. Estas relações funcionam e podem prolongar-se. Estranhamente pode haver problemas quando se juntam dois do GRUPO A (coisa difícil pois há muito poucos), porque tendem a brigar para fazer as coisas e como as vezes tratam-se de indivíduos perfeccionistas, podem haver alguns "excessos" de ciúmes pelo trabalho e acontecerem alguns roces. O individuo do GRUPO B não se dá bem com ninguém do GRUPO A. como conhece perfeitamente a intimidade da preguiça não vai deixar passar nada aos demais. Rodeados de pessoas do GRUPO C ou D devem assumir o papel de GRUPO A. isto lhes leva a ressentir-se contra o mundo, sentem-se explorados. Um formoso e abundante manancial de problemas...O do GRUPO C somente trabalhará quando estiver esgotado a paciência de seu companheiro e este o ordene que faça algo. Ao do GRUPO D o podem humilhar, ordenar, o podem deixar morrer de fome e sede, que não fará nada. Se misturamos estes dois grupos a coisa fica séria. Uma das probabilidades é que o primeiro termine fazendo as coisas para ele somente, enquanto o outro tenta sobreviver deitado dentro do saco de dormir e sem tirar as mãos! Uma sábio conselho? Identifique alguém do GRUPO A, se apresente e se faça amigo. Depois não o largue!

Agora digam: A que grupo vocês pertencem?

Fonte: http://www.alborde.com.ar/

6 de maio de 2006

Entrevista com Lilian Beck Tsuhako

Confira a entrevista com a escaladora caxiense Lilian Beck Tsuhako. Há alguns anos Lílian vem se destacando no cenário montanhista gaúcho e recentemente acaba de se tornar a primeira mulher a escalar uma via de 9a aqui no Rio Grande do Sul.

Como se sente depois de ser a primeira gaúcha a mandar um 9a ?

Eu me sinto muito feliz e pilhada para treinar cada vez mais para encadenar muito mais vias, tanto mais fáceis que ficaram para trás como vias do mesmo nível ou mais difíceis que a “Durepox”.

O que a escalada esportiva representa na sua vida ?

A escalada pra mim é muito mais do que um esporte, é um desafio e um estímulo constante, um meio de auto-superação e autoconfiança incomparáveis.

Quais são os projetos futuros ?

Viajar mais para adquirir experiência (estou louca para escalar no Cipó), e ano que vem (2007) quero participar do Campeonato Brasileiro de Escalada Esportiva.

Existe algum apoio por parte de empresas ?

Tenho apoio da Botas Nômade, Agarrassauro e da Rede De Rose – Uni-Yôga.

Qual o seu maior sonho na escalada ?

Meu sonho é me tornar uma escaladora de nível e poder escalar nos melhores points de escalada do mundo. E, se por acaso participar do Campeonato Brasileiro, ficar entre as primeiras do Brasil.

Qual a sua opinião sobre a escalada no Rio Grande do Sul (vias, estilos, acesso)? Falta alguma coisa ?

No momento, pelo que vemos e ouvimos, está faltando segurança nos points de escalada.

Embora tenha encadenado a Durepox, tem alguma via que te marcou mais? Qual e por quê?

Sim, a “Apocalipse (8C)”, porque foi bem trabalhosa e pra variar, a passada do crux dela é super esticada pra mim, então foi uma surpresa conseguir fazê-la e demorei mais para encadená-la.

Como é a base do seu treinamento ?

Bom, até um mês atrás que o muro que fizemos na casa do Lucas(Araújo) ficou pronto, fazia mais de meio ano que eu não treinava, então ainda não estou com um treino formado, mas só sei que preciso baseá-lo principalmente em “resistência”.

Além da escalada, o que mais você faz? estuda ? trabalha?

Eu trabalho, sou massoterapeuta, estudo, faço Fisioterapia na Universidade de Caxias do Sul e pratico yôga na Universidade de Yôga Rede De Rose.

Deixe um recado para as mulheres que pretendem iniciar na escalada.

“ Vale a pena se puxar para treinar e evoluir na escalada porque a sensação de auto-superação e satisfação com as conquistas é indescritível e incomparável.”