23 de janeiro de 2004

Mínimo impacto em áreas naturais

Ética de mínimo impacto

A escalada em rocha é uma atividade esportiva extremamente especializada, que requer o aprendizado e o domínio hábil de técnicas especiais de progressão vertical e de utilização e manipulação adequada de equipamentos específicos, que incluem cordas dinâmicas, cadeirinha e equipamento de ancoragem e segurança. Além disso, requer preparo físico e treino específico e especializado. O domínio da técnica e um bom preparo físico são requisitos indispensáveis para esse esporte, tradicionalmente praticado em lugares onde a natureza desenvolveu espécies adaptadas a um mundo especial, pedregoso e vertical, que em muitos lugares apresentam espécies únicas ou raras. Portanto, a atividade de escalada em rocha está intimamente relacionada à conservação dos recursos naturais e, conseqüentemente, os escaladores formam um grupo aonde vem crescendo a preocupação e o cuidado em relação à manutenção das características originais do meio ambiente, principalmente nos locais onde a escalada é praticada. A escalada e as atividades relacionadas, como caminhadas e acampamentos, vêm apresentando um aumento significativo de praticantes nos últimos dez anos. Assim, o escalador deve adotar, cada vez mais, um conjunto de práticas e atitudes que colaborem para manter as condições naturais das paredes e áreas vizinhas - é preciso ir além da melhor técnica esportiva e aprimorar nossa ética ambiental, porque o comportamento e a atitude das pessoas é o fator que mais influencia a intensidade dos impactos causados pelas atividades esportivas e recreativas em ambientes naturais. Nos locais onde se pratica a escalada há mais tempo, começam a aparecer problemas como acúmulo de lixo, trilhas erodidas e remoção excessiva da vegetação. Com a abertura de novas áreas e a expansão da escalada no Brasil, é muito importante que a comunidade de escaladores, e cada escalador individualmente, assuma sua responsabilidade pelo cuidado com os recursos naturais, adotando e divulgando as práticas de mínimo impacto aqui descritas. Desta forma, estaremos contribuindo para o ordenamento do uso nas áreas de escalada e para o fortalecimento de uma ética conservacionista que deverá colaborar fortemente com a manutenção das áreas naturais públicas e privadas, além de garantir o acesso às rochas onde gostamos de praticar nosso esporte. As técnicas e práticas estão agrupadas em oito princípios que podem ser aplicados a diversas situações e ambientes, tornando-se essencial que os escaladores compreendam o significado de cada princípio e apliquem suas técnicas às especificidades de cada local.

O Programa Pega Leve! sustenta-se em atitudes e escolhas e não pretende se transformar em um conjunto de regras ou regulamentos. É bom lembrar que não existe uma receita de comportamento que se aplica a todas as situações. Assim, cabe ao escalador considerar, além do tipo de rocha e a melhor forma de proteção para uma escalada segura, sua interferência na vegetação, na fauna e no tipo e intensidade de uso que uma área recebe, para escolher a melhor forma de minimizar seus impactos. Os princípios e práticas apresentados nessa publicação têm a finalidade de ajudá-lo a fazer isso.

Mínimo Impacto na Escalada em Rocha

Aprenda e informe-se sobre as técnicas de mínimo impacto e incorpore-as na sua rotina de escalada. Seja um escalador ativo e faça parte do planejamento e manutenção das áreas de escalada que você freqüenta. Seja voluntário nas campanhas de limpeza das áreas, manutenção das trilhas e vias de acesso. Envolva-se e participe das discussões sobre acesso, abertura de novas áreas, organização de grupos de resgate, etc. A participação ativa de todos é muito importante para que a escalada desenvolva-se de forma organizada e consistente e em harmonia com a conservação dos recursos naturais. Incentive e pratique a convivência positiva entre escaladores, outros visitantes, proprietários de áreas privadas e administradores de áreas protegidas, obedecendo aos regulamentos que se aplicam a cada local e respeitando os demais usuários.

Fonte: http://www.pegaleve.org.br/
Foto: Geuis Soares

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